Arquivo FolhaO secretário Ramiro WahrhaftigAumentou 14% entre 1995 e 1997 o número de alunos matriculados nas escolas de 2º grau da rede pública estadual. Os dados foram considerados ‘‘entusiasmantes’’ pelo secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, que atribui o crescimento principalmente às novas exigências do mercado de trabalho. Mas a ‘‘corrida’’ ao 2º grau e o baixo investimento feito este ano nas escolas deverão provocar falta de vagas em alguns locais no início de 1998. ‘‘Vamos ter que improvisar para atender todo mundo’’, disse Wahrhaftig.
O número de matrículas na rede pública estadual de 2º grau passou de 311 mil em 1995 para 354 mil este ano. Para o ano que vem, a Seed espera um novo salto, entre 8% e 10%, chegando a cerca de 390 mil alunos. Segundo Wahrhaftig, a rede estadual não se preparou como deveria para esse aumento porque o Senado bloqueou a aprovação de um empréstimo acertado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para um programa de melhoria do ensino médio.
Dos US$ 25 milhões que deveriam ter sido investidos este ano, só foram aplicados US$ 12 milhões. Entre outras coisas, deixaram de ser feitas reformas e ampliações de escolas. ‘‘Teremos que deslocar alunos para outras escolas e aproveitar espaços alternativos’’, disse Wahrhaftig.
No total, o Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio (Proem) deverá aplicar US$ 222 milhões nos próximos cinco anos, dos quais US$ 100 milhões do BID e o restante do governo do Estado. A intenção é melhorar a qualidade do ensino e preparar o sistema para absorver o crescimento da demanda.
A Seed prevê que até o ano 2000 precisará criar mais 200 mil novas vagas no 2º grau. ‘‘Isso vai exigir um esforço muito grande do governo’’, diz Wahrhaftig. Os dados da Secretaria mostram que o aumento no número de matrículas na rede estadual não reflete uma migração de alunos de escolas particulares para as públicas. Pelo contrário, a rede privada até aumentou sua participação percentual no total de matrículas do 2º grau, de 10,7% em 1995 para 12,8% este ano.
‘‘A realidade é que estamos vivendo uma revolução, impulsionada pelo mercado, que não aceita mais profissionais sem no mínimo 2º grau completo’’, afirma o secretário. Isso pode ser comprovado também pela evolução no número de matrículas no ensino supletivo, que aumentou 40 mil vagas no Paraná do ano passado para este.
A expectativa é que essa volta da população mais velha à escola, associada à permanência mais prolongada dos jovens, altere as médias de escolaridade, ainda baixíssimas no Brasil e no Paraná. Atualmente, menos de 25% dos jovens paranaenses concluem o 2º grau. ‘‘Precisamos aumentar essa média para 50% nos próximos 10 anos’’, diz Wahrhaftig.
O secretário considera que os dados sobre matrículas nos últimos anos são animadores nesse sentido. ‘‘Isso terá uma repercussão enorme no desenvolvimento econômico do Paraná no final do século’’, prevê.

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