Wiesbaden, Alemanha, 26 (AE-AP) - As especulações de que o Banco Central Europeu (BCE) vai elevar as taxas de juro no início do próximo ano crescem a cada dia. Os preços pagos pelos consumidores alemães em julho subiram no ritmo mais acelerado dos últimos dois anos e as empresas do país pagaram mais caro por matérias-primas no mês de junho.
De acordo com o Escritório Federal de Estatísticas, os preços ao consumidor aumentaram 0,5% em julho, elevando a taxa de inflação anual para 0,6%. Os preços ao produtor, que incluem produtos como aço e combustíveis, subiram em junho pelo segundo mês consecutivo.
A inflação deve ganhar um ritmo mais acelerado nos próximos meses já que o nível de atividade econômica do país subiu. Segundo os principais indicadores, a inflação ainda está abaixo de 2% nos 11 países que compõem a Zona do Euro, teto estabelecido pelo BCE. Mas as autoridades monetárias já avisaram que estão alertas para qualquer sinal de crescimento acelerado que possa impulsionar os preços. O BCE está "excessivamente vigilante" no que diz respeito ao monitoramento da inflação", disse o economista-chefe da instituição, Otmar Issing.
O euro alcançou sua maior alta em dois meses em relação ao dólar, registrando também o maior avanço em um dia ante a moeda norte-americana. A alta foi de 1,9% para 1,0703. A moeda única européia já tinha despencado 13% neste ano, e só nas últimas semanas começou a se recuperar. A remuneração dos títulos públicos alemães aumentou com a expectativa de crescimento e taxas de juros maiores.
Segundo os estatísticos do governo federal alemão, não há erros nos relatórios. Dados das seis principais regiões da Alemanha mostraram que as altas dos preços foram estimuladas pelo encarecimento do óleo usado no aquecimento e dos combustíveis. Os consumidores alemães também pagaram mais por despesas de viagens como pacotes turísticos e no aluguel de apartamentos para hospedagem, valorizações comuns na temporada de verão.
De acordo com o escritório de estatíticas, a elevação de preços ao produtor foi estimulada pela alta anual de 22% nos custos de óleos para aquecimento e iluminação, enquando o diesel subiu 8,6% e o combustível, 6,2%.
O petróleo ultrapassou a marca de US$ 20 o barril na semana passada pela primeira vez em 19 meses, em comparação com os US$ 10 que custava há seis meses.
O BCE já avisou que não terá dificuldades em manter a inflação abaixo de 2% neste ano. Possivelmente, elevando os juros. Os preços ao consumidor já subiram 0,9% até junho nos 11 países da Zona do Euro. Mesmo assim, a inflação na Espanha, Portugal e Holanda ainda está acima de 2%. A possibilidade dela crescer na Alemanha - onde manteve-se abaixo de 1% por 12 meses - já é mais uma pressão.

mockup