Crescem denúncias de irregularidades em hospitais ligados ao SUS
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 31 (AE) - A iniciativa do governo de investigar casos de cobrança irregular de mulheres que se submeteram recentemente a parto na rede pública de saúde está estimulando ex-pacientes a denunciar outros atendimentos. Pessoas submetidas a cirurgias cardíacas e outros serviços em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde começam a ligar para o Disque-Saúde (0800-61-1997), do Ministério da Saúde, informando que pagaram e querendo saber se houve cobrança também irregular ao governo.
O ministério já adiantou que a estratégia de enviar cartas será estendida a pacientes do SUS submetidos a outros procedimentos médicos. Para cerca de 200 mil mulheres que acabaram de ter filhos, o ministério enviou uma carta felicitando pelo nascimento da criança e informando todos os itens do serviço realizado pelo hospital, com o valor pago pelo SUS. Recebeu de volta pelo menos mil cartas em que as denunciantes diziam ter provas de que também haviam pago pelo parto.
Segundo a coordenação do Disque-Saúde, na sexta-feira, em 12 horas, o serviço recebeu 7 mil ligações, 48% relativas a comentários ou denúncias surgidas com a divulgação sobre a iniciativa de envio de cartas. Hoje até as 16 horas já eram 5 mil telefonemas e em 40% deles o assunto eram as cartas. Ainda serão feitas triagens para saber quantas ligações são de denúncias de cobrança irregular com fundamento.
O objetivo do ministério é pegar de surpresa os hospitais. Com a denúncia fundamentada, o ministério envia os dados ao Ministério Público e à Secretaria Estadual da Saúde, que, por meio dos convênios ou contratos assinados com a instituição, têm mecanismos para cobrança de multas em caso de irregularidade.


