Crescem denúncias de agressões contra mulheres
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sexta-feira, 06 de março de 2015
Mariana Franco Ramos <br> Reportagem Local 
Curitiba - As denúncias de violência sexual contra mulheres cresceram 20% no ano passado no Brasil, se comparadas ao ano anterior. Em média, o serviço Ligue 180, do Governo Federal, realizou quatro atendimentos por dia em 2014 relativos a casos de estupro, assédio e exploração sexual. Os dados foram divulgados ontem pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República. Amanhã, 8 de março, é o Dia Internacional de Luta das Mulheres.
Das 485.105 ligações recebidas pelo serviço, 52.957 correspondem a relatos de violência, sendo que 35,47% (18.869) deles foram encaminhados a órgãos de segurança pública e ao sistema de Justiça, o que depende da autorização da própria vítima. Foram 27.369 agressões físicas (51,68%), 16.846 psicológicas (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 de tráfico de pessoas (0,26%).
Em comparação com 2013, a central constatou que houve aumento de 50% nos registros de cárcere privado, numa média de 2,5 por dia, e de 18% nos casos de estupro, numa média diária de três denúncias. Campo Grande (MS) foi a capital com a maior taxa de atendimentos, seguida de Brasília (DF) e Vitória (ES). Conforme a SPM, os números evidenciam a interiorização do alcance do Ligue 180 para municípios que não contam com serviços especializados. As 30 cidades que mais recorreram ao serviço têm menos de 20 mil habitantes.
Entre as unidades da federação, a maior procura ocorreu no Distrito Federal, onde foram contabilizados 2.120 registros, o equivalente a 158,48 para cada 100 mil mulheres. Em seguida, aparecem Mato Grosso do Sul, com 91,61, e Rio de Janeiro, com 91,18. O Paraná vem na 13ª colocação, com 2.930 denúncias encaminhadas e uma taxa de 55,17 para o mesmo grupo populacional. Na outra ponta, Ceará e Amazonas são os estados com menor número de casos notificados em proporção: 21,52 e 12,95, respectivamente.
O Ministério Público (MP) do Estado registrou 5 mil ocorrências de violência contra mulheres no segundo semestre de 2014, o que corresponde a uma média de 27 agressões por dia. Destas, pelo menos 168 aconteceram em Londrina. Os dados são do cadastro unificado do órgão, que reúne informações de inquéritos relacionados à Lei Maria da Penha encaminhados às promotorias de Justiça. Conforme o levantamento, 55% dos crimes foram praticados por maridos e companheiros e outros 24% por ex-maridos e ex-companheiros.
Além disso, 2.039 ocorrências foram classificadas como lesões decorrentes de violência doméstica, o que significa que as vítimas foram agredidas dentro de suas próprias casas. A promotora de Justiça Mariana Seifert Bazzo, coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade de Gênero (Nupige) do MP, disse que os números podem ser ainda maiores, uma vez que há casos não notificados ou que não foram repassados ao órgão, por estarem em fase de investigação policial.
De junho a setembro de 2014, por exemplo, quando os números já estão mais consolidados, o MP registrou 2.961 crimes de conotação sexista. Em Londrina, aconteceram 113 casos, média superior a um por dia. Os bairros Centro, Vista Bela, Vila Casoni e Santa Rita 1 foram os com maior incidência de agressões. Aquiles Stenghel, Jardim Bandeirantes, Jardim do Sol, Jardim Monte Cristo, Jardim União da Vitória e Jardim Vale Azul também figuram na lista dos mais violentos.
"Esse controle estatístico é importante para termos a noção de onde acontecem mais casos. Outra coisa que deve ocorrer, urgentemente, são as campanhas de conscientização, para que os dados não sejam contaminados pela subnotificação", afirmou Mariana. Segundo ela, muitas mulheres não têm coragem de registrar os abusos, por medo de se expor ou sofrer represálias. "Tudo isso é parte de um fenômeno machista ainda presente na sociedade. Mas elas precisam ter a consciência de que existem medidas protetivas", disse.
Para discutir a relação entre o machismo e a violência de gênero, o MP irá promover uma palestra, no próximo dia 16, das 8h30 às 12h30, no auditório da entidade, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. O objetivo é justamente suscitar "um novo olhar sobre os padrões de masculinidade". Os casos de violação aos direitos femininos podem ser denunciados diretamente nas delegacias ou por meio do Ligue 180. A promotora de Justiça contou que, apesar de a polícia ser a "porta de entrada", o MP também está aberto para receber as notificações.


