Oslo, Noruega, 14 (AE-AP) - Dissidentes chineses, o Tribunal de Crimes de Guerra das Nações Unidas e grupos humanitários: as especulações circundando o Prêmio Nobel da Paz a ser anunciado amanhã, em um ano sem favoritos óbvios, gira em torno destas possibilidades.
"Não há favoritos claros nas especulações da mídia este ano", disse o secretário do Comitê dos Prêmios, Geir Lundestad. Ele já sabe a resposta, mas como todos os anos, não antecipou nada antes do anúncio que será feito amanhã às 7 horas da manhã (horário de Brasília).
Os cinco membros do Comitê de Prêmios trabalham em segredo durante os seus cinco ou seis encontros anuais. O Comitê
orgulhoso por suas poucas palavras, recusa-se a comentar ou divulgar os nomes dos candidatos. A única informação que forneceu foi o número de indicados, 136, e a data da escolha do vencedor: 29 de setembro.
Especulações de que os dissidentes chineses Wei Jingsheng ou Wang Dan, possam ser premiados, causaram uma resposta furiosa de Pequim hoje.
A China expressou sua preocupação à Noruega depois que o jornal de Oslo Dagbladet interpretou os comentários do secretário do comitê como uma pista de que um ativista de direitos humanos chinês seria laureado. O governo chinês considera os candidatos criminosos e advertiu contra a escolha deles para receber o prestigioso prêmio. Houve uma enchente de contatos diplomáticos.
Em Pequim, a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Zhang Qiyue, acusou os indicados de tramarem derrubar o governo. "Nomear estes dissidentes é uma flagrante interferência nos negócios internos da China e uma zombaria do prêmio", afirmou. "Se estas pessoas ganharem o prêmio, isto será inaceitável para o povo e governo da China", acrescentou.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores norueguês, Ingvard Havnen, confirmou que a Noruega recebeu advertências da China contra a premiação, mas afirmou que os cinco membros do comitê trabalham de forma independente e o país não pode influir nas suas decisões.
A imprensa norueguesa entretanto, mantém o foco dos favoritos no Tribunal de Crimes de Guerra da ONU ou no grupo humanitário Médicos Sem Fronteiras, considerando-os como os possíveis escolhidos. Parte da imprensa sugeriu um negociador de paz, como o enviado dos Estados Unidos, Richard Holbrooke, por seu empenho nos Bálcãs, ou o secretário-geral da ONU, Kofi Anan.
Outras possibilidades incluem o presidente Clinton, o presidente de Israel Ezer Weizman, o papa João Paulo II como um símbolo da paz ou o ex-presidente Jimmy Carter, por seu longo e amplo trabalho em favor da paz.
O comitê pode escolher uma organização ilustre, como o Exército da Salvação, o grupo anti-guerra Comitê das Mães de Soldados, as Crianças da Colômbia, ou talvez a OTAN por seus esforços para a manutenção da paz na Europa.
Respeitados porém pouco mencionados, os candidatos potenciais incluem a parlamentar curda Leyla Zana; a Irmã Helen Prejean, autora do romance "Os últimos passos de um homem", o bispo mexicano de San Cristobal de las Casas, Samuel Ruiz Garcia
este como campeão da defesa dos direitos humanos dos índios de Chiapas.
Os favoritos normalmente emergem do resultado dos eventos mundiais relevantes e do desejo do comitê de manter os esforços de tais personalidades. No ano passado, o processo de paz da Irlanda estava num ponto crucial e o prêmio foi para o protestante David Trimble e para o católico John Hume.

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