Curitiba - A violação aos direitos humanos no Brasil aumentou em 2003, de acordo com relatório divulgado ontem pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. A entidade registrou crescimento de trabalho escravo e do número de assassinatos de trabalhadores rurais e lideranças indígenas. O Paraná se destacou pela violência no campo.
O ''Relatório Direitos Humanos no Brasil 2003'' foi apresentado ontem no Rio de Janeiro, com a presença de diversas organizações não-governamentais e representantes do governo federal. O documento critica algumas políticas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a medida provisória que permitiu o plantio e comercialização de soja transgênica até 2004. Por outro lado, foram elogiadas as medidas para erradicar o trabalho escravo, que inclui pontos importantes como a expropriação de propriedades onde existe mão de obra escrava, além do aumento do valor das multas e o corte de financiamento público para os infratores.
''A eleição do Lula trouxe novo fôlego para a reforma agrária, principalmente no Paraná'', observou Jelson Oliveira, membro da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná. No final de 2002, aproximadamente seis mil famílias estavam acampadas no Estado à espera da reforma agrária. Em fevereiro, esse número já pulou para 13 mil a 14 mil famílias. Pelos cálculos da CPT, hoje há 15 mil famílias na fila da terra no Paraná, espalhadas em 62 acampamentos. ''O aumento da expectativa ocorreu nos primeiros meses de governo, mas a demora no processo diminuiu os ânimos'', disse.
Segundo a CPT, das 15 mil famílias acampadas no Estado, 13 mil são ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o restante a diversos grupos. ''A luta pela terra é uma demanda da sociedade, não apenas do MST'', afirmou Oliveira. Para ele, o governo tem dificuldade para fazer assentamentos porque o Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) não renovou o estoque de terras nos últimos anos.
Além do aumento do número de acampamentos, outro reflexo da posse de Lula foi a mobilização de proprietários rurais. ''Aumentando a expectativa do povo, os fazendeiros ficam com medo e se organizam em milícias armadas'', disse Oliveira. Para ele, a situação pode melhorar se o governo federal aplicar regras mais rígidas para os fazendeiros. Ele sugere a desapropriação de terras onde é utilizado trabalho escravo ou nos locais onde a preservação ao meio ambiente não é respeitada.

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