Cresce venda de passes na véspera do aumento
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sábado, 31 de maio de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O cidadão londrinense acordou hoje pagando R$ 1,60 para andar de ônibus pela cidade. O aumento de 18,5% na tarifa do transporte coletivo confirmado, anteontem, pela direção da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), entrou em vigor à meia-noite. Durante todo o dia de ontem, usuários formaram filas no Terminal de Transbordo e em pontos de vendas de passes para conseguir comprar no valor antigo de R$ 1,35.
A indefinição sobre o aumento ou não no valor da tarifa resultou em um excedente de cerca de R$ 1,2 milhão na comercialização de passes durante a semana, segundo a CMTU. Isso representa quase 889 mil passes a mais vendidos, em relação à outras semanas. Por dia, cerca de 150 mil pessoas utilizam o transporte coletivo em Londrina.
As justificativas apresentadas de que o reajuste, chamado de recomposição pela CMTU, só foi liberado porque o desenquilíbrio das empresas concessionárias ultrapassou 15% do faturamento e de que sem o aumento seria difícil reajustar o salário dos motoristas e cobradores não convenceu aos usuários. A maioria reclamou que no final do ano passado já houve um reajuste.
A secretária Elaine Cristina da Silva Pimenta, 17 anos, afirmou que com esse novo aumento na tarifa ficará difícil andar de ônibus. Ela esclarece que na empresa onde trabalha não recebe passe e precisa comprar. Além disso, faz faculdade no período noturno, o que aumenta os gastos com o transporte coletivo. Ela esteve ontem no Terminal comprando 100 passes. ''Aproveitei para comprar antes de subir'', declarou.
O aposentado Joel Favaro, 70 anos, também reclamou do aumento. Ele diz que o filho utiliza dois passes diariamente para ir até a faculdade onde cursa administração. Ele argumentou que o filho tem uma motocicleta e que essa pode ser a solução para diminuir os gastos. ''Eu não gosto de moto, mas não vai ter outro jeito'', calculou.
O estudante Hélio Ribeiro, 19 anos, também esteve no Terminal para comprar duas cotas de passe escolar, num total de 100 passes. Ele lembra que até ontem pagava R$ 0,67 em cada passe. Com o aumento, o gasto subirá para R$ 0,80. A empresária Lilian Oiamata também reprovou o reajuste. ''Vim comprar porque preciso distribuir a meus funcionários, mas é um abuso'', reclamou.
Já a empresária Eliane Castilho de Mello, 39 anos, acredita que as alegações apresentadas pela prefeitura para autorizar o aumento não passam de ''desculpas''. Ela também reclamou da atuação dos vendedores informais que atuam nas entradas do Terminal. ''A prefeitura e as empresas não poderiam permitir esse comércio. Essa é uma concorrência desleal'', ressaltou.
O promotor especial de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, deverá solicitar amanhã a portaria da prefeitura autorizando o reajuste da tarifa. Durante a semana, ele anunciou que se o aumento fosse confirmado, tomaria as medidas judiciais cabíveis.


