Campo Grande, MT, 15 (AE) - Os índios guarani-kaiowás hastearam bandeira vermelha em mastros rudimentares e estão pintados para a guerra com os brancos, em Paranhos, Extremo Sul de Mato Grosso do Sul na divisa com o Paraguai. Desde segunda-feira passada está ocorrendo troca de tiros o que vem aumentando a tensão na região, conhecida por Potrero Guassú. Na área há 35 chácaras de diversos proprietários e 3 grandes fazendas da empresa Jatobá Agricultura e Indústria S.A., cujo gerente, Valdir Veloso, é acusado pelos índios de ser o responsável pelas agressões. Diretores da empresa desmentem essa acusação, informando que as medidas são apenas para defender os imóveis da invasão dos índios.
A Polícia Federal esteve no local hoje e prendeu 5 funcionários da empresa que estavam armados. Segundo um dos sócios da Jatobá, Mário Seara, os funcionários estão há quase 2 anos de plantão para evitar que os índios invadam uma das fazendas ou as três. No dia 19 de abril de 97, cerca de 400 guerreiros kaiowás ocuparam 4 chácaras no local, onde permanecem até hoje. A disposição dos mesmos índios é ocupar mais 4 chácaras, até a próxima quarta-feira.
O titular da Delegacia Regional da Polícia Federal, em Ponta Porã, Bráulio César Galloni, disse que interveio no conflito para evitar maiores consequências. Ele lembrou que a mesma situação existe na Fazenda El Shadai, em Ponta Porã, onde esteve na semana passada e apreendeu com os empregados da fazenda uma Winchester calibre 12, um rifle calibre 44 e uma pistola ponto 40, de uso exclusivo das Forças Armadas.
O delegado informou que os empregados da El Shadai estão atirando contra a Aldeia Campo Lima, que fica em frente a fazenda. Tanto a El Shadai quanto a região de Potrero Guassú são consideradas terras indígenas, a exemplo do que acontece em Dourados, no distrito de Panambizinho, onde os índios lutam pela posse de 38 fazendas criadas durante a reforma agrária, promovida pelo então presidente Getúlio Vargas. O delegado Galloni afirmou que, em todas essas áreas, a tensão é grande e, a qualquer momento, poderá ocorrer mortes dos dois lados.
Com o conflito de Paranhos, onde os índios, além de invadir, prometem queimar as sedes das chácaras, o quadro está bastante grave. Os produtores rurais de Paranhos estão fortemente armados e dispostos a repelir qualquer ação indígena que ponha em risco suas propriedades. Na segunda-feira passada, um grupo de 80 índios foi expulso sob intenso tiroteio quando tentaram incendiar uma chácara nas proximidades na Fazenda Jatobá.

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