Curitiba - A Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel), pode ser palco de um novo conflito. Moradores do município fizeram ontem um protesto na sede administrativa da Araupel em apoio à empresa e contra a ocupação promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em parte da fazenda no final de semana, e prometeram tirar os invasores à força, caso o governo não tome providências em relação à desocupação da área.
De acordo com o comandante da 2 Companhia do 6º Batalhão da Polícia Militar (PM), capitão Celso Luiz Borges, cerca de 1 mil pessoas participaram do manifesto que foi realizado cerca de três quilômetros distante da área invadida. A polícia acompanhou a mobilização e não registrou nenhum incidente, mas o comandante admitiu estar preocupado com um possível conflito. ''Nosso objetivo é evitar confronto e mediar a conversação entre as partes. Não se sabe até quando a polícia vai conseguir controlar essa situação'', declarou.
Ontem, a assessoria jurídica da Fazenda Araupel entrou com pedido de reintegração de posse no Juízo de Quedas do Iguaçu. No início da noite, o advogado da Araupel, Paulo Macarini, informou que a Justiça deferiu o pedido de reintegração de posse. Segundo o diretor de Recursos Humanos da Araupel, Alberto Pius, a empresa espera que o governo determine o cumprimento da reintegração.
A ocupação na Araupel aconteceu justamente no momento em que o governo do Estado tentava negociar a desocupação de uma outra área da fazenda, invadida pelo MST em 1999, e que motivou a intervenção federal no Paraná, determinada na semana retrasada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
De acordo com o coordenador estadual do MST em Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava), Elemar Cezimbra, cerca de 1,5 mil famílias ocuparam a fazenda Araupel no último sábado. Elas estavam acampadas às margens da PR-158, em Laranjeiras do Sul (138 km a leste de Cascavel), junto com outras 700 famílias que também saíram da rodovia e ocuparam, em maio, o Assentamento Solidor, em Espigão Alto do Iguaçu (150 km a leste de Cascavel), e a Fazenda Rio Bonito, em Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava).
Cezimbra disse que as famílias não deixarão a área da Araupel. Segundo ele, os sem-terra tomaram o controle de cerca de 30 mil hectares e irão reivindicar sua desapropriação para a implantação de um assentamento. O MST defende, ainda, que uma outra área de 18 mil hectares, que seria de mata degradada, fique nas mãos do governo para que o poder público a recupere e transforme num ''corredor de biodiversidade'' junto da área de 3,5 mil hectares de mata que o próprio movimento conservou no Assentamento Ireno Alves. Esse assentamento é resultado da desapropriação de uma outra área da Araupel invadida pelos sem-terra em 1996 e 1998 e onde atualmente vivem cerca de 1,5 famílias.

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