Cresce retorno de migrantes por insucesso
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sexta-feira, 27 de junho de 2003
Agência Estado 
Rio - São Paulo ainda é o Estado que mais atrai migrantes no País, apesar de toda desilusão com a busca de emprego no Sudeste, responsável por uma sensível mudança nas correntes migratórias brasileiras. Mas está perdendo moradores com bastante escolaridade. A diferença entre moradores que chegaram e que deixaram o Estado indica um déficit de quase 11 mil pessoas com 15 anos ou mais de estudos, ou seja, que chegaram à universidade.
A pesquisa Migração e Deslocamento, do IBGE, traçou o perfil do migrante com base no estudo dos 5,2 milhões de brasileiros que chegaram ou saíram de Estados entre 1995 e 2000. Eles têm 27,5 anos de idade em média, são homens e em geral estão saindo do Nordeste e chegando ao Sudeste, apesar da redução do fluxo de correntes para regiões mais ricas. Os nordestinos deixam sua região com idade média de 25,3 anos.
Os migrantes têm baixa escolaridade: 65,5% não completaram o ensino fundamental (antigo primeiro grau), sendo que 14,7% não têm qualquer instrução e 19,4% são analfabetos funcionais (têm menos de três anos de estudos). São também pessoas muito pobres na maioria: 43% disseram não ter qualquer rendimento e apenas 2,1% tinham renda mensal de mais de 20 salários mínimos.
O instituto detectou 337 mil migrantes no Estado. Em relação ao número de anos de estudo, 12,1% dos paranaenses que mudaram de cidade não têm instrução alguma. Cerca de 16% têm de um a três anos de estudo; 32% estudaram de quatro a sete anos; 16,5% frequentaram escola de oito a dez anos; outros 16,5% estudaram de 11 a 14 anos e apenas 5,3% ultrapassaram 15 anos de estudo. Ou seja, pouco mais de 5% completaram ou pelo menos iniciaram uma faculdade. Esses números colocam o Paraná na décima colocação entre os estados brasileiros.
A busca por São Paulo é menos intensa, mas 1,2 milhão de pessoas ainda escolheram o Estado em busca de uma vida melhor entre 1995 e 2000, segundo o IBGE. Houve uma queda de 12% em relação às entradas de migrantes no período 1986/1991. Deixaram Paulo no fim da década passada 883.600 pessoas, o que indica que houve 340 mil entradas a mais do que saídas. Deixaram o Estado 52.600 pessoas de alta escolaridade, enquanto chegaram 41.700.
Minas Gerais é o segundo estado que mais atrai migrantes recebeu 447.700 migrantes. Os que mais receberam migrantes com curso superior foram Distrito Federal e Santa Catarina.
Os que mais receberam pessoas de baixa ou nenhuma instrução foram São Paulo e Goiás. A Bahia é o maior ''exportador'' de migrantes de baixa escolaridade, ao mesmo tempo que ''importa'' moradores de nível superior.
Segundo o pesquisador do IBGE Fernando Albuquerque, em geral a trajetória do migrante é sair ainda jovem da terra natal, formar família e ter filhos no Estado que escolheu para morar e, desiludido com a falta de oportunidade, voltar alguns anos mais tarde, com as crianças. ''O retorno por insucesso é um movimento cada vez maior'', diz Albuquerque. (Colaborou Maria Duarte)


