Cresce procura por vela repelente
O surto de febre amarela em Minas Gerais tem aumentado a popularidade da andiroba, uma planta nativa da Amazônia utilizada há muito tempo pelas populações tradicionais como repelente. Na empresa NatuScience, do Rio de Janeiro, que fabrica a vela de andiroba através de licenciamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) os pedidos triplicaram.
O produto, desenvolvido pelo Instituto Far-Manguinhos (da Fiocruz) a partir do bagaço da andiroba, tem laudo do Laboratório de Biologia da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro atestando uma eficácia de 100% como repelente do mosquito Aedes aegypti, transmissor da febre amarela e da dengue.
Totalmente atóxicas, as velas de andiroba não produzem fumaça nem cheiro. Seu efeito é inibir o apetite das fêmeas, que necessitam de sangue no processo de fecundação. Os efeitos da andiroba valem para todos os mosquitos hematófagos, responsáveis também pela transmissão da filariose (elefantíase) e malária.
O óleo de andiroba é utilizado há mais de um século pelas mulheres na Amazônia como cicatrizante, principalmente em ferimentos causados por picadas de cobra, aranha, escorpião e insetos. Enquanto se dedicam à tarefa de depurar o óleo, elas fazem bolas do bagaço e as queimam para afugentar os mosquitos. As pesquisas que resultaram na vela repelente foram feitas a partir desta observação.
Segundo Regina Villela de Castro, diretora da NatuScience, esse resultado (100% de eficácia) nunca foi encontrado em qualquer outro produto do mercado para o combate ao mosquito.
Regina Villela afirma que os fornecedores da NatuSciense são os pequenos produtores extrativistas da Amazônia. Seguindo a filosofia ecologicamente correta, a empresa utiliza 100% da matéria-prima, industrializando o óleo em várias versões, o bagaço nas velas e os resíduos industriais na fabricação da tocha sólida, utilizada como repelente para áreas externas.





