Cresce procura por cirurgia de redução de estômago
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - A proporção de brasileiros acima do peso está aumentando significativamente, o que influencia diretamente na qualidade de vida da população. A obesidade já é considerada um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que quase metade da população adulta (49%) está com excesso de peso. De acordo com o Ministério da Saúde, 15% dos brasileiros são obesos. O índice inclui os que apresentam obesidade mórbida.
Uma das saídas encontradas por quem está muitos quilos acima do peso ideal é a cirurgia bariátrica, procedimento realizado para diminuir o tamanho do estômago. De acordo com o Ministério da Saúde, em quatro anos a quantidade de procedimentos cirúrgicos desse tipo realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobrou no Brasil.
Em 2003, foram realizadas 1.778 cirurgias. Em 2010, o número saltou para 4.437. O País conta com 77 unidades de sa© úde habilitadas para realizar esse tipo de procedimento. Em Londrina, as cirurgias são realizadas no Hospital Universitário (HU) e na Santa Casa.
A procura pela cirurgia bariátrica nos convênios particulares também cresceu. Somente a Unimed Londrina liberou 419 procedimentos dessa natureza no ano passado. Até junho deste ano, foram realizadas 246.
Os números refletem a mudança de hábito da população. Diante da correria do dia a dia, as pessoas optam apenas pela praticidade. ''Antes, as pessoas se alimentavam em casa. As mulheres tinham tempo de preparar a comida da família. Hoje, comem rápido, fora de horário e optam pelos produtos industrializados com grande teor de gordura. É a geração 'fast food''', explica o endocrinologista Guilherme Marquezine.
Segundo ele, algumas pessoas têm mais facilidade para engordar devido a fatores genéticos. Na maioria das vezes, no entanto, o problema está na alimentação. ''A alimentação do obeso nunca está correta'', pontua Marquezine, acrescentando que ''à medida que a pessoa vai engordando as chances de reverter o caso vão diminuindo''.
O cirurgião do aparelho digestivo Reinaldo Hideto Morioka afirma que a cirurgia bariátrica não funciona ''como uma mágica.'' ''A pessoa deve recorrer ao procedimento em último caso. E, após a cirurgia, precisa alterar uma série de hábitos. É necessário mudar o estilo de vida para alcançar os objetivos propostos'', ressalta Morioka, enfatizando a necessidade de um acompanhamento psicológico antes e depois do procedimento.
Ele ressalta ainda que a indicação cirúrgica é baseada no cálculo do IMC. ''O procedimento é indicado para pacientes cujo índice varia entre 35 e 40 e que tenha doenças como diabetes e hipertensão'', explica. Antes de se submeter ao processo cirúrgico, a pessoa deve realizar uma série de exames laboratoriais para avaliar a coagulação sanguínea, função renal, nutricional, hepática.
Segundo Morioka, existem uma série de contraindicações que devem ser consideradas. ''Pessoas com insificiência renal, doença pulmonar, cirrose hepática, distúrbios psiquiátricos e que fazem uso excessivo de álcool e outras drogas não devem passar pela cirurgia'', alerta.
Ele enfatiza que o paciente que passa pela cirurgia bariátrica pode continuar comendo de tudo. ''A diferença é que ele vai comer menos. Mas, se não tomar cuidado, pode voltar a ter o mesmo problema. O importante é manter a saúde'', finaliza.


