Cresce procura por ajuda para educar filhos
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sábado, 19 de junho de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 20 (AE) - A educação dos filhos deixou de ser considerada uma tarefa natural. O número de pais que admitem insegurança sobre a melhor forma de agir com as crianças aumentou. Prova disso é o crescimento na procura de livros sobre o tema e até de cursos organizados para orientação de pais. Para ter-se uma idéia, somente no ano passado, mais de 8 mil pessoas de todo o País recorreram à Escola de Pais do Brasil, criada em 1963. Sem fins lucrativos e integrada por pessoas que fazem trabalho voluntário, a escola atingiu, ao longo desses 36 anos, 15 milhões de pessoas. A experiência deu tão certo que trabalhos semelhantes, com material produzido no Brasil, estão sendo realizados na Bolívia, Colômbia, Paraguai, Argentina, Chile e Portugal.
"Somos uma espécie de franquia com trabalho voluntário", afirma o presidente da escola, Ivo Nascimento. Neste mês, mais de 800 integrantes da escola reuniram-se no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, para falar sobre a família no ano 2000.
Para o presidente da Escola de Pais, o aumento da procura pelo curso é natural. "Acho muito salutar que as pessoas reconheçam a necessidade de auxílio em uma tarefa tão nobre como a de educar os filhos", afirma.
Nascimento afirma que o crescimento do interesse pelos serviços da escola ocorre por dois motivos: as relações na família mudaram e hoje é mais fácil os pais admitirem a insegurança. "Até a década de 60, o modelo era muito mais rígido e a educação ocorria de forma vertical: de pai para filho
impreterivelmente", lembra. "Hoje, o intercâmbio é maior e muitas vezes são os filhos que ensinam os pais."
Para o educador Marcos Maseto, da Universidade de São Paulo e integrante da Escola de Pais do Brasil, a dificuldade enfrentada pelos pais atualmente é fruto de uma combinação de fatores. Além da mudança nas relações, as pessoas deparam-se com uma série de valores emergentes, resultado do maior fluxo de informações e do contato com culturas diferentes.
O curso é dado durante seis meses. Nesse período, pequenos grupos reúnem-se para discutir temas que vão desde o novo papel da mulher e do homem até as diferenças entre uma relação autoritária e uma com limites. Passada a primeira etapa, interessados podem realizar mais um semestre de curso. Dessa vez
para se tornar voluntários. "Fazemos também palestras sobre temas que interessam às famílias, com especialistas de diversas áreas."
Mediador familiar - Depois da separação, uma nova etapa de conflitos começa: discussões sobre guarda dos filhos, regime de visitas e partilhas de bens. Para encurtar esse período, geralmente desgastante, um novo tipo de profissional começa a aparecer: o mediador familiar. Figura existente nos Estados Unidos, Israel e Alemanha, esse novo profissional entra em cena antes do advogado. Ao lado do casal que acaba de separar-se, ele procura estabelecer um acordo para problemas ainda não resolvidos. O estabelecido entre o profissional e os ex-casados é apenas ratificado pelo juiz.
A atuação é semelhante à do advogado que atua tanto para o ex-marido quanto para a ex-mulher. "A diferença é que esse advogado atua poucas vezes, porque geralmente os ex-casados contratam profissionais diferentes", afirma o psiquiatra infantil Haim Grunspum, que deu um curso sobre o tema durante o 36º Congresso Nacional de Escolas de Pais do Brasil.
Curso - Segundo Grunspum, o curso servirá para a formação de voluntários que poderão atuar nos moldes de Academia Americana de Mediadores. "Nesse trabalho americano, o casal que se está separando passa por uma ampla orientação", afirma Grunspum.
"Tenho certeza de que, se esse trabalho fosse introduzido profissionalmente no País, o processo de separação seria muito mais rápido", afirma o psiquiatra. "Isso traria grandes benefícios não só para o casal que se está separando, mas também para os filhos", completa. Na avaliação de Grunspum, mesmo depois de o casal separado, as disputas judiciais acabam afetando a saúde emocional da criança. Para o psiquiatra, o ideal é que esse trabalho seja realizado por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais ou advogados. "Todos, claro, com uma formação para atuar na área."


