Rio, 10 (AE) - No Brasil, dentre os crimes cometidos sexualmente contra crianças, a pedofilia é o que mais cresce. Nos últimos três anos, 34 casos foram denunciados à Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Criança e Adolescência (Abrapia), organização não-governamental (ONG) vinculada ao Programa Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Até junho deste ano, 22 casos envolvendo crianças menores de 12 anos foram constatados na Internet. Desse total, cinco deles foram revelados em São Paulo, cidade que lidera o ranking de pedofolia.
Em 1997, foram registrados apenas três casos. No ano seguinte, o número de denúncias triplicou. Depois de São Paulo, o Estado do Rio de Janeiro fica em segundo lugar, com três casos registrados este ano. Em seguida, vêm os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que empatam na estatística, cada um com uma denúncia oficializada.
Das outras 11 situações de pornografia na Internet, que totalizam os 24 casos ocorridos de janeiro até o dia 30 de junho
não foram divulgados os estados pelo denunciante. Com isso, a Abrapia e o órgão responsável pela fiscalização no Brasil, a Polícia Federal, não têm como verificar o Estado ou mesmo se o provedor (a linha de comunicação na Internet) é do Exterior.
"A pornografia é muita vezes oferecida em páginas gratuitas fornecidas por provedores internacionais", explica o psicólogo e coordenador do SOS Criança da Abrapia, Sílvio Valente. "Os provedores não dispõem de cadastros que possam auxiliar no rastreamento dos usuários e ajudar a descobrir como essas páginas entram na Internet", completa.
Segundo Valente, o pedófilo ( sujeito que interessa-se sexualmente por crianças) é frequentemente, alguém que está repetindo algo que sofreu na infância, como um abuso sexual, tornando-se um neurótico. "O neurótico vê na criança uma espécie de redenção para a sua vida, o seu trama", frisa o coordenador.
Valente destaca há dezenas de páginas gratuitas na Internet com a exposição de crianças de ambos os sexos em cenas de nudez explícita. No caso do Brasil, faltam peritos especializados para ajudar no rastreamento de criminosos. "Existe apenas um policial federal com formação nesse tipo de crime no país e que presta auxílio à Polícia Internacional (Interpol)", disse o coordenador.
Ele afirma que para acabar com a proliferação deste tipo de crime, são necessárias campanhas educativas e uma legislação específica para crimes na Internet. "Os efeitos dos exageros na rede mundial de computadores poderão ser virtuais, éticos e culturais", sentencia Valente. A pedofilia na Internet levou a fundadora da Comissão Permanente de Mulheres Advogadas do Rio, Maria Regina Purri Arraes, a propor aos conselheiros do Tribunal Federal Internacional que esse crime seja tratado como de caráter transnacional e a criação de estatuos que regulamentem punição a criminosos.
"Sujeitar crianças à deformação moral e psíquica pela violência da exploração sexual comercial é um crime contra a humanidade, pois destrói a infância e o futuro da civilização", analisou Maria Regina.

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