Cresce população que vive na miséria
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terça-feira, 23 de outubro de 2001
Agência Estado<br> Do Rio de Janeiro 
O número de pessoas que vivem em condições de pobreza na América Latina e no Caribe cresceu de 40,5% para 43,8% no período entre 1980 e 1999. Em números absolutos, os pobres somaram 211 milhões em 1999. É o que mostra relatório da Comissão Econômica para América Latina (Cepal), divulgado na 13ª Reunião do Foro de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe, que termina hoje. A conferência é preparatória para a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável que acontecerá em Johanesburg (África do Sul) em setembro de 2002.
O estudo mostra ainda que houve elevação do número de indigentes. Eles eram 62,9 milhões em 1980 e, em 1999, passaram para 89,4 milhões na região. No Brasil, 30% do território é afetado pela pobreza. O País está na lista dos mais afetados pelo desemprego, mas também está entre os que mais conseguiram atacar a miséria. Entre 90 e 99, reduziu o número de pobres em 11,5 pontos percentuais, perdendo para o Chile (15,5).
O quadro traçado pelo relatório é trágico e revela grandes desafios para superar o problema. Ele prevê que para que os países mais pobres possam reduzir pela metade o número de miseráveis, seria preciso que eles crescessem a 4,5% ao ano. ''Essa foi uma década perdida em termos econômicos e sociais'', afirmou Reynaldo Bajraj, secretário-executivo-adjunto da Cepal e um dos coordenadores da pesquisa.
Bajraj ressaltou que o caminho para o fim da miséria é o de reduzir o desemprego. E falou sobre como os países podem ajudar a aumentar a oferta de trabalho. ''O desemprego está ligado a dois fatores: a demanda do mercado e a capacidade de o cidadão se ajustar a um mercado mais exigente'', analisou. ''Diminuir pobreza não é assunto exclusivo de política social, mas de política econômica.''


