Cresce população de ave ameaçada de extinção
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sexta-feira, 16 de julho de 2004
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O número de papagaios-de-cara-roxa no litoral do Paraná aumentou cerca de 30% nos últimos dez anos. A ave é ameaçada de extinção, e o aumento, segundo o biólogo Roberto Boçon, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), que desenvolve um trabalho de preservação no local, é significativo. A contagem das aves é feita quatro vezes ao ano no litoral do Estado, sempre no início das estações. A última, feita durante o mês de junho, revelou que há 4.920 papagaios-de-cara-roxa no litoral do Paraná, diferente de dez anos atrás, quando o número era de aproximadamente 3,6 mil aves.
Segundo Boçon, o aumento deve-se principalmente a três fatores: os trabalhos locais de educação ambiental desenvolvidos pela SPVS, a conscientização natural da população e o método de pesquisa e contagem mais preciso neste último trabalho. ''Junho também é um bom período para fazer a contagem de aves, uma vez que elas não encontram-se em período de reprodução e estão nos seus dormitórios.''
Os papagaios-de-cara-roxa têm como único local de incidência no mundo uma faixa que vai do litoral sul de São Paulo ao litoral norte de Santa Catarina. A maior parte está concentrada na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, especialmente nas ilhas. A contagem dos papagaios é uma das etapas do programa de conservação que será realizado até 2005, com recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente.
No litoral do Estado existem seis locais dormitório dos papagaios-de-cara-roxa: Ilha do Capim, no município de Guaratuba; Ilha do Mel, em Pontal do Paraná; Ilha da Cotinga, em Paranaguá; Ilha Rasa, em Guaraqueçaba; Ilha do Pinheiro, no Parque Nacional de Superagui; e Barra do Ararapira, também em Superagui.
Segundo moradores das regiões, há cerca de 40 anos, o número de papagaios-de-cara-roxa era bem maior. Segundo Boçon, os papagaios-de-cara-roxa e papagaios-de-papo-roxo são animais visados pelo tráfico, que ainda é o maior culpado pela extinção. ''Eles são muito procurados como animais de estimação, uma vez que são dóceis, bonitos e divertidos. Quando não são procurados pelo tráfico, para serem vendidos ao exterior por altíssimos preços, são procurados por atravessadores que os vendem para famílias que desejam ter a ave como animal de estimação'', disse.


