Londrina - O valor destinado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o pagamento de benefícios ligados a acidentes de trabalho cresceu mais de 20% nos dois últimos anos no Paraná. Dados do Boletim Estatístico Regional da Previdência Social (BERPS) mostram que, de 2012 a 2014, o montante aumentou R$ 7 milhões no Estado, passando de R$ 33,7 milhões no primeiro ano para R$ 40,9 milhões no ano passado. O número de benefícios acidentários concedidos, por sua vez, teve incremento de 4%, saltando de 46.066 para 48.192 benefícios.
A aposentadoria por invalidez após acidente de trabalho é o benefício acidentário que mais demandou recursos em 2014 no Estado, segundo os dados do INSS. Foi responsável por cerca de R$ 13,3 milhões em pagamentos. O valor médio da aposentadoria foi de R$ 1,1 mil. Já as pensões por morte apareceram com R$ 8,7 milhões dos recursos destinados para benefícios acidentários naquele ano. As informações são referentes aos boletins de setembro de 2012 e setembro de 2014.
De acordo com a gerente-executiva do INSS em Londrina, Lívia Rodrigues Coloniezi, os valores poderiam ser ainda maiores, já que nem todos os casos de afastamento por ocorrências no emprego são comunicados à Previdência Social. "Só temos acesso aos casos se o segurado faz o requerimento do benefício", explicou. Ela também avalia que o ideal seria que houvesse mais investimentos em prevenção, para se reduzir esses custos. "O que o INSS pode fazer neste sentido é alertar o Ministério Público do Trabalho quanto a empresas com muitos afastamentos por acidente, como forma de ajudar os órgãos controladores", pontuou.
Na região de Londrina, o número de segurados que foram a óbito por acidentes no emprego teve oscilação nos últimos três anos. Em 2012, foram 16 mortes registradas pela 17ª Regional de Saúde. No ano seguinte, 34. Até junho de 2014, 15 notificações foram feitas. Somando os três anos, foram 65 óbitos. "São casos pontuais, mas que poderiam ser evitados", ponderou o chefe da Divisão de Vigilância em Saúde do órgão, Eduardo Andrello.
Segundo ele, visitas periódicas são feitas a empresas e indústrias da região para levar orientações para evitar novos registros. "As empresas são obrigadas a ter comissões de prevenção de acidentes de trabalho. Mas vemos que a saúde do trabalhador é uma área que ainda está engatinhando no País", disse ele, ao salientar que a falta de investimentos em prevenção tende a sair mais caro para todos. "Perde-se vidas, tem-se amputações e aposentadorias mais cedo em função disso", observou.

NAS ESTATÍSTICAS
Morador de Londrina, o operário Ricardo Júnior Piedade de Oliveira, de 36 anos, entrou ontem para as estatísticas de acidentes de trabalho. Ele teve mão e perna presos por uma máquina prensadora de plástico na fábrica em que atua, no final da manhã, no Parque das Indústrias Leves (zona leste). Foi preciso que socorristas do Samu o encaminhassem para a Santa Casa. O trabalhador passou por cirurgia e segue internado.
Já no Noroeste do Paraná, um homem morreu soterrado por duas toneladas de mandioca, em São João do Caiuá. Felipe Militão Rohling, de 25 anos, teria caído de uma altura de quatro metros e meio, na noite de anteontem, dentro de uma cancha, enquanto trabalhava numa fecularia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, ele foi resgatado já sem vida. O corpo de Rohling foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Paranavaí.

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