São Paulo, 25 (AE) -O aumento da competitividade e do número de escolas no desfile do Grupo Especial trazem, cada vez mais, a necessidade de profissionais qualificados. A tradição do Rio tem permitido a contratação de dezenas de pessoas com experiência na área. "Hoje, a maior parte dos carnavalescos que está em São Paulo veio de lá", afirma o diretor de Comunicações da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, Renê Rodrigues.
A entidade estima que, em média, 150 profissionais do Rio estejam prestando serviços na capital paulista. A "migração", segundo Rodrigues, tem-se acentuado nos últimos anos. "O carnaval de São Paulo cresceu muito", analisa. Vários desses especialistas, trazidos dos barracões e ateliês cariocas, acabaram mudando-se para a cidade. O coordenador de barracão Delmo de Moraes é um deles.
Mudança - Ele fazia parte da equipe de um carnavalesco carioca que, há três anos, recebeu um convite da Gaviões da Fiel. Moraes mudou-se temporariamente com o grupo para São Paulo. "Sem querer menosprezar, não havia um trabalho profissionalizado", explica. "Tivemos de montar toda a equipe." A experiência deu certo e Moraes continuou na agremiação nos anos seguintes.
Atualmente, além de comandar o barracão, ele assessora o carnavalesco Jorge Freitas. "Com a nossa vinda para cá, as outras escolas sentiram-se obrigadas a buscar profissionais no Rio", observa. Ele se mudou para São Paulo em setembro e planeja voltar à capital fluminense apenas nos fins de semana. "O campo de trabalho por aqui é bem melhor, porque no Rio há muita competitividade", explica.
Além de contratar vários profissionais do Rio, a X-9 Paulistana resolveu "importar" também a madrinha da escola. Este ano, a modelo Luciana Sargentelli vai ocupar o posto na avenida. "Espero fazer história na X-9 como faço no Estácio", afirma. Qualidade - Luciana sempre desfilou na Estácio de Sá. Em 1992, um problema no sapato a fez sambar na Marquês de Sapucaí com os pés sangrando. Na ocasião, a escola acabou ganhando o campeonato.
Quando recebeu o convite para ser madrinha da X-9, ela resolveu assistir aos ensaios. Mas só decidiu participar depois de ouvir o som da bateria. "A mistura de ritmos é totalmente diferente do que estou acostumada", elogia. "Se o som não fosse ótimo, eu não poderia ter um bom desempenho na avenida."
A modelo acha que o carnaval de São Paulo tem um nível de qualidade semelhante ao do Rio. "Quem não o valoriza são os próprios paulistanos", destaca. A partir de agora, a modelo pretende sair todos os anos pela X-9. "Vim para somar", conclui. Este ano, Luciana terá a companhia de outros "migrantes" do Rio na agremiação. Entre eles está o carnavalesco Lucas Pinto, que já trabalhou para escolas como a Acadêmicos do Grande Rio e Unidos da Tijuca. "Recebi o convite e resolvi ficar", conta. "Estou muito satisfeito." Além de trazer pessoas de sua confiança, ele chamou profissionais que trabalham no Festival de Parintins, no Amazonas.
Experiência - O artista plástico Cristiano Gomes da Silva está entre os veteranos que vieram do Rio há três anos. Contratado pela Morro da Casa Verde, ele acredita que as semelhanças entre os desfiles das duas cidades têm aumentado. Como exemplo, cita as estruturas dos carros alegóricos e as esculturas. "Mas o carnaval de São Paulo não deixa nada a desejar, porque os paulistanos também têm muita criatividade", afirma.

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