Rio, 18 (AE) - O nível de endividamento das empresas brasileiras cresceu de 0,56 em 1994 para 0,81 em 1998, segundo o estudo "As 500 maiores sociedades anônimas do Brasil", do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado do ano passado significa que, para cada real de capital próprio colocado pela empresa, foi tomado no mercado 0,81.
O patamar está abaixo dos níveis de endividamento da Argentina (0,92) e do México (0,83), mas foi superior ao nível de 0,37 do Chile. Nos países desenvolvidos, o índice fica entre 0,50 e 0,60.
Segundo a FGV, as empresas investiram mais e, para isso, também se endividaram mais desde o Plano Real. Historicamente, o patamar era mais baixo no Brasil por causa da falta de recursos e da inflação.
Em 1997 foi registrado o grau mais elevado - 0,87 - desde o Real, mas o endividamento recuou no ano passado. Mesmo assim, o economista do Ibre Aloisio Campelo afirma que o endividamento começa a ficar preocupante a partir de 0,80.
Nas grandes empresas, o financiamento com capitais externos gerou a desconfiança de que a desvalorização do real desencadeasse uma quebradeira, mas as empresas buscaram proteção e também tomaram empréstimos de longo prazo, concluiu o estudo da FGV.
A rentabilidade das 500 empresas caiu de 7,24% para 4 62% no período. Segundo o chefe do Centro de Estudos de Empresas da FGV, Sérgio Gustavo Costa, o resultado está aquém da rentabilidade dos bancos, que varia de 9% a 11%.

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