Rio - A tendência é de alta no consumo de drogas ilícitas no Brasil, constatou levantamento do Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc), divulgado ontem. Nos países da Europa e nos Estados Unidos é de queda. Segundo os dados da Unodc, 5,8% da população brasileira com mais de 15 anos usa maconha, 0,8%, cocaína, e 0,7%, anfetaminas.
O aumento no número de usuários brasileiros e o consequente recrudescimento da violência nas metrópoles levou a entidade a propor ao governo um plano conjunto para reverter esse quadro. A ênfase será na prevenção e no amparo a jovens entre 15 e 24 anos, faixa etária que concentra o maior número de vítimas da violência.
O relatório Drogas Ilícitas Tendências Globais 2003, com dados referentes aos anos 2000-2001, mostrou que na comparação com o período 1998-2000 o consumo cresceu em todo o mundo: o número de usuários passou de 180 milhões (ou 4,2% da população mundial acima de 15 anos) para 200 milhões (4,7%). Enquanto na Europa e nos Estados Unidos países em que o pique de consumo foi no fim da década de 80 a tendência é de queda, no Brasil e no restante da América do Sul, onde os números, comparativamente, ainda são baixos, ocorre o contrário.
A informação foi dada ontem, Dia Internacional de Combate às Drogas e ao Tráfico, pelo representante do Unodc na América do Sul, Giovanni Quagli. ''Há 25 anos os Estados Unidos, por exemplo, são considerados grandes consumidores de drogas, como a cocaína. Então houve tempo para desenvolver serviços de prevenção e tratamento. Na América do Sul o consumo está aumentando mais recentemente.''
Na América do Sul, o Brasil aparece em 9º lugar no consumo de cocaína (o líder é a Argentina, seguida do Chile e da Colômbia, principal exportador do entorpecente, com 72% da produção mundial) e em 2º no de maconha, atrás apenas da Venezuela. O relatório destaca que o governo brasileiro lidera as ações no continente para erradicar o plantio de maconha.
De acordo com o relatório, o aumento do uso de drogas no mundo se deveu ao consumo de cannabis (maconha e haxixe) e das anfetaminas, principalmente o ecstasy. Dos cerca de 150 países que responderam aos questionários da ONU, 63% informaram o aumento no uso do ecstasy entre seus habitantes. Para se ter uma idéia, no início dos anos 90, 18% dos laboratórios clandestinos fechados no mundo produziam anfetaminas; em 2001, o índice já era de 75%.
O relatório mostrou que 3,4% da população do mundo (de todas as idades) faz uso de drogas ilícitas 2,7%, de cannabis; 0,6%, de anfetaminas; 0,3%, de ópio e morfina; 0,2%, de cocaína; 0,16, de heroína; e 0,1%, de ecstasy.

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