Brasília - O número de transplantes feitos no País cresceu 10%, de acordo com números divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. Ano passado, foram feitas 19.125 cirurgias, enquanto em 2007 foram contabilizados 17.428 procedimentos. O maior aumento percentual foi registrado no transplante de coração (29%), seguido por fígado (14%) e córnea (12%).
''Temos de comemorar esses resultados'', afirmou o secretário de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame. O aumento do número de procedimentos é atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles, a elevação no número de centros para transplantes, que passou de 892 para 942 entre 2007 e 2008.
Apesar do aumento, há ainda uma série de dificuldades que precisam ser enfrentadas. Entre elas, o número de doadores existentes no País, que ainda é considerado baixo. São 6,2 doadores para cada milhão de habitantes. Na Espanha, a proporção é significativamente maior: 36 por milhão de habitantes. Beltrame garante que, se houvesse um número maior de doadores, o número de transplantes poderia ser maior. ''É um sistema que se retroalimenta. Quanto mais transplantes fizermos, mais as pessoas se mobilizam para doar órgãos', afirma o secretário. Para isso, diz, é preciso ''ganhar corações e mentes''.
Ele avalia haver ainda resistência da população para doação, algo que atribui, sobretudo, a fatores culturais. ''Em determinados tipos de transplantes, é preciso agir logo que há o diagnóstico de morte cerebral, algo que nem todos estão familiarizados''.
Embora seja a primeira dificuldade citada por Beltrame, há ainda outra série de desafios. Como preencher o que ele chama de ''vazios assistenciais'' na área de transplante. ''Há locais onde não há rede instalada''. O problema, afirmou, não se resolve apenas com dinheiro, mas também com capacitação de pessoal.

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