Lusaka (AE-IPS) - O número de angolanos que fugiram da guerra civil em seu país e se refugiaram na Zâmbia cresceu nos últimos dias para mais de 5 mil, mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) advertiu que a cifra pode se duplicar nas próximas semanas. Os refugiados passaram de 3.700 a 5.000 em apenas duas semanas e seguirão chegando se continuarem os enfrentamentos entre o governo e os rebeldes da UNITA (União Nacional para a Libertação Total de Angola).
Musengo Kayombo, da oficina de Programas da ACNUR em Lusaka, atribuiu o grande influxo de refugiados ao fato de que as tropas do governo de Angola avançaram até a fronteira com a Zâmbia para deter os rebeldes. "Parece que (as tropas do governo) iniciaram uma verdadeira mobilização na zona fronteiriça. A consequência foi que as pessoas da região começaram a fugir em massa, apesar de que não tanto como quando se reiniciou a batalha" o ano passado, comentou Kayombo.
O conflito de Angola estourou quando o país, de 12,6 milhões de habitantes, se tornou independente de Portugal em 1975. O último acordo de paz, patrocinado pela Zâmbia e firmado entre o presidente de Angola, Eduardo dos Santos, e o líder da UNITA, Jonas Savimbi, colapsou em dezembro de 1998, quando ambas as partes voltaram à luta. A maquinária de guerra de Savimbi é financiada com a venda de diamantes, e a do governo com os ganhos gerados pelo petróleo.
A Organização da Nações Unidas impôs sanções à rebelde UNITA e a Savimbi, em uma tentativa de obrigá-los a por fim à guerra que causou a morte de centenas de milhares de pessoas e o deslocamento de milhões. "Ao menos 40 refugiados entram na Zâmbia a cada dia. Esse foi o máximo até agora, mas supomos que virão mais", anunciou Kayombo. A maioria dos refugiados chegam à Zâmbia através das cidades de Mwinilunga e Chavuma, na fronteira norte-oriental, e também, em menor quantidade, pelo oeste, onde se encontra o posto fronteiriço de Lukulu. Os refugiados são examinados e logo trasladados para os acampamentos de Meheba, ao nordeste da Zâmbia, e de Mayukwayukwa
na província ocidental. Quatro caminhões estão estacionados na fronteira para transportar os recém-chegados, relatou Kayombo.
Também chegaram refugiados da República Democrática do Congo (RDC) ao acampamento de Mwange, situado no norte da Zâmbia, e cuja população passou, em poucas semanas, de 16.000 para 17.000 pessoas. Alguns refugiados congoleses se instalaram a princípio em cidades fronteiriças como Kaputa, mas depois decidiram se unir aos demais nos acampamentos onde recebem alimentos, explicou o representante de ACNUR residente na Zâmbia, Olusaiye Bajulaiye.
A fome obrigou os refugiados a se mudarem para os acampamentos, apesar de que alguns acabam de chegar fugidos do conflito que assola seu país há 13 meses. A Zâmbia alberga neste momento cerca de 200 mil refugiados, em sua maioria procedentes de Angola, Burundi, RDC, Ruanda e Somália. Os refugiados começaram a chegar a este país no começo da década de 60, e alguns já estão integrados à comunidade que os alberga, construíram suas próprias casas e têm seus negócios.

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