Curitiba- Cerca de 14% da população do País possui deficiências nas áreas sensoriais (audição e visão), mentais ou físicas, de acordo com dados divulgados em 2000 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, conforme o presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (Adfp), Mauro Vincenzo Nardini, cerca de 800 pessoas por ano adquirem algum tipo de deficiência no Brasil. ''Acidente de carro, arma de fogo, uso de drogas, e uma série de outras coisas, podem causar algum tipo de deficiência'', comenta.
Nardini é portador de deficiência física há 5 anos. Ele participou ontem da apresentação do tema escolhido este ano pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Campanha da Fraternidade. Durante a apresentação, o arcepisbo metropolitano Dom Moacyr Vitti, informou que a abertura oficial da campanha na Arquidiocese de Curitiba acontece no próximo domingo, às 15 horas, no Pavilhão de Exposições do Parque Barigui. São esperadas mais de 5 mil pessoas.
Portador de paralisia cerebral, o estudante de direito Evandro Hapodiuk Rocha, 33 anos, apóia a campanha. ''A pessoa deficiente não precisa ser tratada com pena. Ela só precisa de adaptações'', disse. Um dos principais problemas enfrentados por ele no dia-a-dia se refere à locomoção.
A aposentada Maria Hapodiuk Rocha, 58 anos, mãe de Evandro, é quem ajuda o estudante a chegar na faculdade. ''Aqueles elevadores de ônibus nem sempre funcionam. Falta manutenção. Na maioria das vezes a gente recebe ajuda de outras pessoas, pois a cadeira de rodas é muito pesada'', conta ela.
Para que Evandro pudesse frequentar as aulas, a faculdade passou por modificações na estrutura física. ''Antes eles não tinham nem banheiros adequados, mas depois eles até fizeram adaptações nas calçadas e sempre perguntam se o meu filho precisa de mais alguma ajuda'', disse Maria. E as adaptações não acontecem apenas na estrutura do prédio. ''Os professores e os colegas tinham um pouco de dificuldade para entender o que Evandro falava. Mas depois da convivência, o meu filho fez amizades e não tem dificuldades no aprendizado'', completa ela.
De acordo com o assessor da área de deficiência física da prefeitura de Curitiba, Irajá de Brito Vaz, a realidade na Capital não é diferente da situação em outros países. ''Estamos tentando sensibilizar os estudantes de arquitetura e engenharia, antes deles entrarem no mercado de trabalho, para que planejem locais adaptados às pessoas com deficiências. Também realizamos influência semelhante nas co nstruções novas. Mas é quase impossível adaptar edifícios tombados pelo Patrimônio Histórico, por exemplo'', explicou Vaz, que é tetraplégico há 20 anos.

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