Nas aulas de educação física da escola, Daniela começou a perceber que a filha Júlia apresentava odor forte nas axilas. Depois, vieram os cravos no rosto, o aparecimento de buço e a perda de roupas e sapatos por causa do crescimento acelerado. Tudo muito natural para uma adolescente, cujos hormônios determinam a transformação do corpo de menina para mulher. Mas, Júlia tinha apenas sete anos quando esses sinais começaram a aparecer.
Não há explicação para o fenômeno, segundo o endocrinologista pediátrico Claudinei da Costa, de Londrina. ''Nem estatísticas''. Mas a constatação é evidente - ''cresce cada vez mais o número de casos de puberdade precoce''. E, se ainda não há causas definidas do distúrbio, o que é possível fazer é um diagnóstico rápido para interromper o processo. O objetivo é evitar transtornos físicos e psicológicos.
Na parte física, o problema é que os hormônios podem acelerar o desenvolvimento dos ossos. Mas, a criança para de crescer antes do tempo, o que prejudica a estatura final. ''Os pais até ficam contentes porque a filha está crescendo, mas podem ser os hormônios característicos da puberdade que causam esse estirão. Na parte psicológica, a criança se sente constrangida, não é a idade, pois mesmo na adolescência a transformação do corpo já precisa de amparo. Ficar diferente dos amigos também causa insegurança e algumas crianças precisam de acompanhamento psicológico'', alerta Costa.
A endocrinologista pediátrica Sandra Marcantonio, de Londrina, ressalta que não é só nas meninas que pode aparecer o problema, mas também nos meninos, apesar de menos comum, e que é preciso ficar atento à idade. ''A puberdade precoce se caracteriza pelo aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos oito anos de idade na menina, e antes dos nove nos meninos'', explica. Depois dessa idade pode ser uma puberdade adiantada, mas não precoce.
Um dos primeiros sinais do problema, segundo os especialistas, é o estirão (crescimento rápido), mas também o odor axilar e o aparecimento de pelos na região pubiana. Nas meninas, pode haver aparecimento de nódulo mamário, que é diferente da mama que aparece se a criança está acima do peso, e, nos meninos, aumento do volume dos testículos.
O diagnóstico é feito com exames clínico e laboratoriais, como o raio X da mão, que mede se a idade óssea é compatível com a cronológica, ultrassom para verificar ovários e útero, nas meninas, e de sangue para medir dosagens hormonais.
O tratamento da puberdade precoce normalmente é feito com uso de medicamento, ou, em alguns casos, apenas com mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, prática de atividade física e sono adequado. Se o bloqueio dos hormônios é feito no início, o crescimento das mamas, por exemplo, não só para, mas regride. ''É um tratamento prolongado, geralmente até os 12 anos de idade, quando o paciente é 'liberado' para a puberdade'', avalia Costa. ''O ideal é usar a medicação até que a idade óssea e a cronológica se encontrem'', completa Sandra.

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