Londrina – A participação de duas adolescentes no latrocínio que vitimou o empresário José Luiz de Souza, semana passada em Londrina, é apenas mais uma prova do envolvimento cada vez maior de garotas no mundo do crime.
Levantamento da Delegacia de Homicídios revela aumento de 51,6% nas apreensões de adolescentes do sexo feminino na cidade. Em 2011 foram abertos 89 procedimentos envolvendo garotas. Esse número saltou para 135 no ano seguinte. Em 2012, os procedimentos envolvendo garotas representaram 12,8% do total na Delegacia do Adolescente.
"É a banalização da criminalidade e da violência entre jovens em geral. O que pode estar motivando o aumento (de adolescentes do sexo feminino no crime) é que elas levantam menos suspeita da policia e isso acaba facilitando ações", acredita o delegado Marcos Rubira.
"A inserção das adolescentes está intimamente ligada ao consumo de drogas. São aliciadas e depois passam a traficar", descreveu o promotor substituto da Vara da Infância e Juventude, Leandro Antunes Meireles Machado.
Na contramão deste crescimento está a abertura de vagas no sistema de socioeducação – o número atual (1,1 mil) é igual ao deixado pelo governo anterior. O Paraná tem 41 vagas para internação feminina, divididas entre as cidades de Ponta Grossa e Curitiba, locais que podem abrigar adolescentes londrinenses, mas descumprem a distância mínima de 150 quilômetros determinada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
De acordo com a assessoria da Secretaria da Família e Desenvolvimento Social, as unidades de Foz do Iguaçu, Cascavel, Curitiba e Londrina têm "flexibilidade" e dependendo da "necessidade" podem destinar alas para adolescentes apreendidas provisoriamente.
A unidade 1 do Centro de Socioeducação (Cense) de Londrina, com capacidade para abrigar 85 adolescentes provisórios, destina oito vagas para garotas. E, se acordo com a assessoria, "há vagas".
Porém, a "flexibilidade" não encontra ressonância em outros órgãos. "Não foi concebido desta forma, não foi construído para meninas", lamentou o promotor Leandro Machado.
As duas adolescentes acusadas de participação no latrocínio do empresário ficaram menos de 24 horas internadas. Por serem rés primárias e seus familiares terem residência fixa, foram liberadas durante o final de semana pela Justiça.
"Além da falta de punição, essa medida acaba proliferando o crime entre as adolescentes infratoras. Dá a sensação de impunidade, além de descredito aos órgãos públicos", criticou o delegado Marcos Rubira.
A Vara da Infância e Juventude não tinha levantamento sobre a proporção de procedimentos entre entre garotos e garotas. A Secretaria da Família também não tinha nenhum dado oficial e alegou "estudos" estão sendo elaborados. Por enquanto, o governo não planeja construir unidade socioeducativa exclusivamente feminina.

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