Cresce número de casos de aids no Paraná
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

O boletim epidemiológico HIV Aids divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Ministério da Saúde coloca o Paraná como o Estado com maior aumento na taxa de detecção de casos de aids, nas regiões Sul e Sudeste, no período de 2006 a 2015. A detecção de casos no Estado cresceu 9% e foi na contramão dos vizinhos Santa Catarina e São Paulo, que apresentaram declínio de 17% e 46%, respectivamente. Também tiveram queda Rio Grande do Sul (-11%), Rio de Janeiro (-23%) e Minas Gerais (-12%). O Espírito Santo registrou uma leve alta, de 0,5%.
A taxa de detecção leva em consideração o número de casos positivos para cada 100 mil habitantes. Apesar da queda na taxa, os gaúchos e catarinenses ainda apresentam o maior número de casos confirmados no Sul e Sudeste. No Rio Grande do Sul, foram confirmados 34,7 casos por grupo de 100 mil habitantes em 2015. Em Santa Catarina, foram 31,9. Já no Paraná, foram 18,7. A média nacional é de 19,1 casos/100 mil habitantes.
Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelaram que 827 mil pessoas vivem com HIV/aids no Brasil. Dessas, cerca de 112 mil não sabem que estão infectadas. A pessoa pode ser HIV positiva, mas não desenvolver a doença e nem apresentar sintomas. Em torno de 372 mil soropositivos identificados ainda não iniciaram tratamento. Segundo a pasta, a epidemia no Brasil está estabilizada, mas o País tem cerca de 41,1 mil novos casos ao ano, concentrados principalmente entre populações vulneráveis e nos mais jovens.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) atribui o aumento na taxa de detecção de aids no Paraná à política de aplicação dos testes rápidos. "O Estado vem trabalhando forte com a estratégia de busca da população vulnerável. Também adotamos estratégias diferenciadas como a descentralização da testagem", afirmou Júlia Cordellini, diretora do Centro de Epidemiológica da Sesa.
A secretaria capacitou em torno de 5 mil profissionais de saúde para a realização dos testes rápidos. Realiza durante a temporada de verão uma ação nas praias com aplicação dos testes e conscientização sobre as formas de prevenção. "Montamos barracas na areia e os veranistas podem fazer o teste, recebem aconselhamento pré e pós o resultado e orientações de onde procurar atendimento para iniciar o tratamento em seus municípios", explicou Júlia. Ela enfatizou que é importante detectar a doença, pois com o diagnóstico e o tratamento adequado é possível diminuir a circulação viral e a cadeia de transmissão no Estado.
Para o coordenador da área de acesso ao tratamento da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto Júnior, mais do que adotar uma política de detecção, é preciso também uma política de vinculação do soropositivo ao tratamento. "Os projetos de testes rápidos desenvolvidos podem ter efetivamente contribuído para esse desvio na taxa que o boletim epidemiológico apontou", comentou.(Com Agência Brasil)


