Cresce número de bebês mortos no CE
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado, 
Já são 60 os bebês mortos este mês na Maternidade Escola Assis Chateubriand (MEAC), da Universidade Federal do Ceará. Ontem, a reitoria da UFC divulgou boletim oficial, registrando mais quatro mortes desde o último final de semana. Até o momento, não foi admitido pela direção da MEAC nenhum caso de infecção hospitalar ou negligência como causa dos óbitos.
Entre as 60 crianças falecidas, conforme os dados revelados pelo coordenador de comunicação social da UFC, Ítalo Gurgel, seis tinham até um quilo de peso; 18 tinham de um quilo a 1,5 quilo; 22 tinham entre 1,5 quilo a dois quilos; sete tinham entre dois quilos e 2,5 quilos; e sete tinham acima de 2,5 quilos.
Desse total, 54 foram considerados prematuros, o que explicaria, segundo Gurgel, a grande incidência de casos fatais.
Entre os bebês que morreram, de acordo com os dados oficiais, 51 apresentaram síndrome de angústia respiratória, sete sofreram asfixia grave ao nascer e três más formações graves.
Hoje, o reitor da Universidade Federal do Ceará, Roberto Cláudio Frota, terá audiência nos ministérios da Saúde e Educação, em Brasília, com o objetivo de conseguir recursos emergenciais para a MEAC e para o Hospital Escola Valter Cantídio, que na segunda-feira paralisou o setor de internamentos por falta de material básico.
O secretário de Saúde do Estado, Anastácio Queiroz, anunciou ontem que até o final de semana, a Maternidade Escola Assis Chateaubriand receberá mais oito equipamentos de Unidade de Terapia Intensiva, elevando para 20 o número de UTIs neo-natais. Com isso, pretende-se reduzir a superlotação hoje existente na maternidade.
Também serão adquiridas mais 17 UTIs neo-natais para três unidades hospitalares da rede pública estadual, somando um total de 25 unidades a mais no sistema público de saúde.
De acordo com o secretário, os custos para a implantação das novas UTIs são da ordem de R$ 471 mil e absorverão cerca de R$ 786 mil em manutenção.
Ontem, foi anunciada uma reunião entre o governador Tasso Jereissati, o secretário de Saúde e os dirigentes de 11 hospitais conveniados através do Sistema Único de Saúde (SUS). Jereissati estava disposto a cobrar o atendimento por parte da rede privada dos casos de partos considerados de médio risco. Até ontem, todos estes continuavam sendo remetidos para a Maternidade Assis Chateaubriand.


