Londrina - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu 17 motoristas por uso de habilitação (CNH) falsa ou documento adulterado do veículo no Norte do Paraná este ano. O último flagrante ocorreu em novembro, em Apucarana. A quantidade parece pequena se comparada com o número de automóveis circulando na região, mas impressiona os policiais mais experientes. ''Houve aumento vertiginoso neste ano'', revela o delegado operacional da Polícia Federal, Elvis Secco.
A legislação é severa com relação a essas situações. Segundo o Código Penal Brasileiro, alterar CNH é crime, cuja pena varia de dois a seis anos de prisão. ''O motorista pode pensar que vai responder apenas uma infração administrativa, mas está longe disso'', comenta.
Neste semestre, um homem ficou mais de dois meses na carceragem da PF de Londrina. Ele só deixou a prisão após pagamento de fiança, mas responde ação criminal por falsificação de documento público. A polícia alerta que o maior número de ocorrências ocorre agora no período de férias. ''Os índices de prisões relativas a esse tipo de crime aumentam sensivelmente nessa'', afirma Secco.
Adulteração
As falsificações variam desde a validade do documento até alterações da fotografia. Tudo é conferido durante a abordagem. ''O policial recebe treinamento de certificação veicular, com identificação do número do chassi, motor e até os documentos. Durante o treinamento, ele também aprende a trabalhar os elementos de identificação como o relevo e marca d'água. Aliada a fiscalização, também podemos consultar a base no sistema'', explica o chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização PRF de Londrina, Vicente Zangirolani.
A PRF também registrou aumento significativo do número de multas aplicadas em motoristas que não portavam CNH. Apenas no trecho urbano da BR-369 (menos de 15 quilômetros) foram 407 infrações de janeiro até o início de dezembro, 257% a mais que o registrado em todo o ano de 2010 (114 multas). ''Isso sem contar os outros trechos das rodovias federais que cortam o Norte do Estado'', acrescenta.
Descuido, esquecimento, reprovações no teste do Detran. São muitas as desculpas utilizadas pelos motoristas para tentar justificar a irregularidade. A falta de habilitação lidera a lista de infrações na Companhia de Trânsito de Londrina (Ciatran). Nos onze primeiros meses deste ano foram aplicadas 2.370 multas, alta de 20% ante os números de todo o ano de 2010 (1.968 autuações).
''Pelo menos 70% do que a gente pega é moto e a grande maioria por falta de CNH'', aponta o comandante da Ciatran, capitão Mario Celso Andrade.
O Código Brasileiro de Trânsito estipula multa de R$ 191 ao infrator (gravíssima e sete pontas na CNH). O proprietário do veículo também pode ser punido. Em alguns casos, o valor da multa quintuplica e chega a R$ 957,60.
Andrade revela que o aumento está diretamente ligado à melhoria do poder aquisitivo do brasileiro. ''Primeiro há o status, a pessoa compra um bem com a melhoria do poder aquisitivo, mas não se preocupa com a questão legal. O problema é que como ela não sabe das regras de trânsito, está suscetível a provocar mais acidentes. Ela joga com a sorte'', finaliza.

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