Cresce número de alunos autistas nas escolas municipais de Londrina
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quarta-feira, 02 de outubro de 2019
Rafael Machado - Grupo Folha 
O número de alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) nas escolas e centros municipais de educação infantil (CMEIs) de Londrina cresceu mais de 20% nos dois últimos anos. É o que aponta um levantamento obtido pela FOLHA via Lei de Acesso à Informação (LAI) com a Secretaria de Educação. Em 2017, eram 136 estudantes, 154 em 2018 e 164 neste ano. A estatística segue o aumento de matrículas nos três anos do balanço: 42.949 (2017), 43.837 (2018) e 44.527 (2019).

A gerente de Apoio Especializado da Secretaria de Educação, Cristiane Sola Rogério, acredita que houve um aumento nos diagnósticos de autismo, o que acaba influenciando nos dados de matrícula na rede pública. "Foram aprimorados os estudos médicos para tentar identificar o transtorno com mais precisão. Consideramos que a elevação vem acontecendo pelo envolvimento maior das escolas nesse tema, o que dá um suporte melhor para os pais", opinou.
Cristiane citou que a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, sancionada em julho de 2015, também é um fator que baseia a alta procura. "A legislação contribui para que as famílias busquem mais as instituições regulares do que as especiais, mas a escolha é livre e individual. Temos esse trabalho solidificado na rede municipal há aproximadamente 20 anos, mas adaptações foram necessárias ao longo do tempo pelo surgimento de novos casos", comentou.
Segundo a gerente, o atendimento especializado para o autista começa a ser desenvolvido assim que a matrícula é feita. "Quando sabemos do diagnóstico mesmo depois que ela é inserida na sala de aula, fazemos uma observação pedagógica da situação e, se identificadas características do autismo, encaminhamos os pais para o atendimento médico, que dará a análise correta", disse.
Do contingente atual de professores, 420 docentes trabalham exclusivamente com a inclusão, sendo que 111 atuam especificamente com as crianças autistas. Cristiane Sola esclareceu porque nem todos os estudantes são acompanhados individualmente por um educador. "O autistmo é um transtorno dentro de um espectro, ou seja, diferentes indivíduos dentro de um mesmo quadro. Temos crianças que não têm dificuldades no aprendizado, pelo contrário, possuem altas habilidades. Porém, por outro lado, a rede municipal dispõe de alunos que são quase ou totalmente dependentes. É nesse contexto que os docentes de apoio são essenciais. Vai depender de cada caso", avalia.
Para a psicopedagoga e especialista em Neuroaprendizagem, Tatiane Hollandini Pascualini, a necessidade do professor auxiliar na sala de aula é medida de acordo com o nível de suporte que a criança precisa. "Alguns pedem mais ajuda, outros menos. Esse profissional vai fazer a mediação entre o que o regente passa e reorganizar esses conteúdos para que o aluno com TEA, mesmo com uma certa dificuldade, tenha acesso a esse tipo de aprendizagem. A diferença é a estratégia pedagógica que será utilizada, que pode ser readequada por objetivos, recursos didáticos, alterações nas avaliações", apontou.
Tatiane afirmou que o acompanhamento tende a ser mais efetivo com a união entre família e escola. "Os pais conhecem seus filhos melhor do que ninguém. Eles se sentem altamente motivados para auxiliá-los, principalmente quando as mudanças vão aparecendo. Se conseguimos replicar as habilidades aprendidas no ambiente clínico para o escolar, isso potencializa o processo de aprendizagem", completou.
Particulares
Em abril deste ano, o Ministério Público de Londrina desenvolveu uma ação em escolas particulares para assegurar a educação inclusiva. A medida foi idealizada depois de várias reclamações de práticas ilegais e abusivas em algumas instituições de ensino, como a recusa de matricular alunos com algum tipo de deficiência. Além das unidades, uma recomendação administrativa foi entregue à Secretaria Municipal de Educação, Núcleo Regional de Educação, Conselho Municipal de Educação e o Sinepe (Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná).


