Cresce número de acidentes e mortes na capital paulista
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Maurício Moraes 
São Paulo, 17 (AE) - O número de acidentes e de mortes no trânsito da capital paulista aumentou no ano passado, segundo relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), divulgado hoje. Até novembro, foram 168.836 acidentes e 1.531 mortes. Comparados aos índices registrados no mesmo período de 1998, houve crescimento de 8,2% e 9%, respectivamente.
"Por causa dos rumores de que o Código de Trânsito Brasileiro sofreria alterações, muitos motoristas passaram a cometer abusos", acredita o presidente da CET, Nelson Maluf El Hage. Outro fator que contribuiu para o índice registrado, segundo ele, foi o aumento do número de motoboys e, consequentemente, de acidentes com moto.
O documento mostra ainda que a frota paulistana está prestes a atingir 5 milhões de veículos (carros, caminhões, ônibus e motos), o que significa média de um carro para cada dois habitantes. A média brasileira é de 1 para cada 9,4 habitantes - os dados são de 1996. Tóquio tem 1 para cada 2,2 moradores e Nova York, 1 para cada 3,7.
São Paulo ainda está buscando alternativas para diminuir o trânsito. De acordo com o relatório, o índice de lentidão permaneceu praticamente constante se comparado ao registrado em 1998. Também não existem grandes diferenças dos dados de dois anos atrás.
De janeiro a dezembro de 1999, registraram-se 67 quilômetros de lentidão no período da manhã e 116 quilômetros durante a tarde. Em 1998, foram 66 e 121 quilômetros, respectivamente. E em 1997 os números ficaram em 67 e 111. Mesmo com a adoção do rodízio municipal durante o ano passado, com exceção de janeiro e julho, as taxas medidas pela CET permaneceram estáveis.
O rodízio surgiu como uma promessa de uma grande redução do volume de carros em circulação, mas os dados mostram que ele tem sido eficaz apenas para evitar um aumento nos indíces. Para El Hage, a solução para a melhoria do trânsito da cidade passa por várias providências, incluindo o rodízio. "Atualmente, ele tem contribuído muito para que a situação não piore."
Metrô - De acordo com El Hage, em julho, quando a medida foi suspensa por causa das férias, o tráfego tornou-se mais intenso do que nos outros meses. A médio e longo prazo, El Hage acredita que os investimentos em transporte coletivo e obras viárias vão contribuir para melhorar o fluxo de veículos. "O sistema viário está com capacidade insuficiente para o número de veículos, que tem crescido."
Para o presidente da CET, a melhoria do transporte público vai ocorrer, por exemplo, com o aumento de linhas e estações de metrô. Na avaliação do presidente da CET, isso acabaria ajudando a tirar os carros de circulação. "Diminui-se a demanda e, em seguida, ajusta-se a capacidade do sistema." A curto prazo, ele defende a redistribuição dos horários de deslocamento na cidade, medida conhecida também como reescalonamento.
Como os problemas de São Paulo concentram-se, segundo El Hage, nos horários de pico, a idéia é fazer que os motoristas não saiam no mesmo momento. Ele afirmou que a CET já conseguiu que os caminhões que trabalham para supermercados e indústrias alimentícias mudassem as entregas. "Estamos conversando com várias categorias." Há negociações para que o comércio de bairros de grande poder aquisitivo, como Jardins e Itaim-Bibi, na zona sul, passem a abrir às 10 horas e fechem às 20 horas.
Não há, segundo ele, um prazo definido para que o reescalonamento seja adotado em grande parte da cidade. "Este é um assunto que precisa ser muito discutido com as partes envolvidas, para que não haja prejuízo para nenhum segmento." A CET optou por reunir-se com cada um dos setores envolvidos. "Preferimos fazer isso a impor uma medida."
Multas - De acordo com o relatório da CET, a quantidade de multas aplicadas diminuiu. Para o presidente da CET, o dado mostra que os motoristas estão mais cuidadosos. "Depois do novo código, houve uma mudança de conduta."


