Cresce movimento para elevar cota
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Valmir Denardin 
Ney de SouzaCidades irmãsPrefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó, e de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto Miranda, em reunião para definir estratégias do movimentoPolíticos e empresários da fronteira entre Brasil e Paraguai estão desencadeando um movimento pela elevação da cota de compras sem o pagamento de impostos entre os países que integram o Mercosul (Mercado Comum do Sul).
Ainda na primeira quinzena de agosto, o grupo deverá apresentar ao presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy, projeto que propõe o aumento da cota, dos atuais US$ 150,00 para US$ 500,00. O movimento vai pedir que o presidente paraguaio assuma esse projeto oficialmente na próxima reunião do Grupo Comum do Mercosul, que reúne os presidentes dos quatro países integrantes do acordo - Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.
Segundo o prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto Miranda (do Partido Colorado, o mesmo de Wasmosy), o presidente é favorável à proposta e deverá defendê-la perante os demais parceiros do Mercosul.
O Paraguai tem um voto e precisa do apoio do Brasil para defender a proposta, afirma Barreto Miranda, um dos integrantes da comissão criada na fronteira para iniciar o movimento. Agora que temos o pedido formal de setores de dois países do Mercosul (o envolvimento de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este), será mais fácil apresentar a reivindicação para os demais parceiros.
A idéia de iniciar um movimento para aumentar a cota de compras no exterior partiu do prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó (PPB), depois que ele, durante viagem a Brasília, se encontrou com o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles.
A proposta obteve adesão rápida do prefeito de Ciudad del Este, além de empresários, vereadores e representantes de órgãos públicos das duas cidades fronteiriças. Foi criada uma comissão binacional para apresentar a Wasmosy o projeto de elevação da cota.
O trabalho da comissão será formular um projeto que obedeça às normas jurídicas e econômicas do Mercosul. A idéia é convencer os governos centrais de que o aumento do limite de compras poderá contornar a crise que atinge a fronteira, agravada a partir de novembro de 1995, quando os integrantes do Mercosul decidiram reduzir a cota - de US$ 250,00 para os atuais US$ 150,00.
Desde então, o faturamento das 7 mil lojas de Ciudad del Este caiu cerca de 60% - de US$ 6 bilhões, em 1995, para menos de US$ 3 bilhões, segundo previsões para este ano. O número de turistas que visitam a cidade paraguaia caiu 38% entre 1995 e 96 - passou de 2,3 milhões para 1,4 milhão.
Para Daijó, o momento é favorável para a apresentação da proposta, porque o governo federal está preocupado com a evasão de divisas devido às compras feitas por brasileiros nos EUA e Europa. O que os brasileiros gastam em Miami e Nova York poderia ficar aqui mesmo, no Mercosul, possibilitando o aumento na oferta de empregos e na arrecadação tributária.


