Cresce custo do combate à inflação nos países ricos
Washington, 10 (AE-DOW JONES) - Os países industrializados estão sacrificando parcelas cada vez maiores de crescimento econômico em sua luta para reduzir a inflação, mas os benefícios dessa política são cada vez menores. Essa é a conclusão de um estudo divulgado pelo BIS (Banco para Compensações Internacionais).
O relatório, produzido por Palle Andrersen, do BIS, e por William Wascher, do Federal Reserve norte-americano, diz que as 19 maiores economias da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sacrificam em média 2,5 pontos porcentuais de crescimento para cada ponto porcentual de redução que conseguem na inflação.
Os números mostram um grande aumento no custo do combate à inflação; entre 1965 e 1985, os mesmos países abriam mão de apenas 1,5 ponto porcentual de crescimento para cada ponto porcentual de queda da inflação.
Segundo analistas ouvidos pela Dow Jones, o estudo do BIS soma-se a várias outras pesquisas recentes, segundo as quais os governos podem estar errados ao lutar pela estabilidade absoluta dos preços. Ele também dá munição aos oponentes de elevações "preventivas" das taxas de juro nos países industrializados.
A idéia central é que o custo de reduzir a inflação aumenta à medida que a inflação diminui, o que tornaria a estabilidade absoluta de preços cara demais. Nos últimos anos, um número crescente de Bancos Centrais em países industrializados estabeleceu metas inflacionárias.
Embora nenhum Banco Central tenha dito explicitamente que pretende alcançar a estabilidade absoluta de preços, vários países estabeleceram metas de inflação próximas de zero.
O BC da Nova Zelândia, por exemplo, é obrigado a manter a inflação entre zero e 3%; o do Canadá, entre 1% e 3%. O estudo do BIS observa que, de uma certa maneira, esses países estão pagando o preço de seu próprio sucesso.
A taxa média de inflação nos 19 países estudados caiu de cerca de 8% no período 1965-85 para 3,5% nos quinze anos seguintes. Mas os esforços para a redução da inflação estão se tornando cada vez mais custosos e menos eficazes.
A Alemanha, por exemplo, sacrifica atualmente 3,4 pontos porcentuais de crescimento econômico para cada ponto porcentual de redução da inflação; no período 1965-85, o sacrifício era de 1,9 ponto porcentual. Os EUA abrem mão de 3,3 pontos porcentuais
de 1,8 ponto porcentual entre 1965 e 1985. No Reino Unido, país que usa o sistema de metas inflacionárias, o custo do combate à inflação diminuiu de 2 pontos porcentuais para 1,8 ponto.





