Cresce comércio de roupas usadas
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sexta-feira, 20 de junho de 1997
Maria Tereza Boccardi Especial para a Folha 
Ney de SouzaComprar peças de segunda mão virou mania em cidades da fronteiraA compra e venda de roupas usadas importadas dos Estados Unidos e da Europa é uma tendência de mercado que cresce a cada ano na fronteira e se espalha pelo País. Neste inverno, as vendas chegam a aumentar até quatro vezes em relação ao mesmo período de 96.
Ano passado, importava cerca de três toneladas/mês. Agora são doze, conta um dos importadores brasileiros, Ângelo Rodrigues, que mantém um escritório em São Paulo. Apesar de ser uma atividade recente no País, o negócio garante lucro de até 100% aos lojistas.
Mas o lucrativo negócio ainda é para poucos. O grupo de importadores no Brasil é formado por apenas 15 empresários, calcula Rodrigues. A legislação brasileira não permite a livre importação de roupas usadas. Há dois anos e meio no negócio, Rodrigues é um dos empresários que obteve autorização especial do governo para importar. Porém, ele não revela qual o procedimento para conseguir essas autorizações.
O empresário tem 15 lojas espalhadas por São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ele revende também para outros 80 pequenos lojistas de todo o País, inclusive de Foz. Recebe mercadorias de Itália, Alemanha, Estados Unidos e Canadá, e está fechando negócio com um novo fornecedor da França.
Rodrigues explica que essas roupas são doadas pelas pessoas às entidades assistenciais dos países de origem. Segundo ele, parte delas são comercializadas no próprio local e o restante é vendido para arrecadar dinheiro para as instituições.
Embora seja rentável, em Foz esse comércio sofre restrições devido à proximidade com Ciudad del Este, que possui seis lojas do gênero. O varejo aqui é fraco. Os clientes passam em frente da loja e seguem para o Paraguai. Compro dos importadores brasileiros. No Brasil se paga muito imposto. Por isso, a mercadoria sai mais cara, justifica Utara Cunha Mees, gerente da Loja Americano - Roupas Semi-Novas Importadas, a única da cidade.
Utara prefere comprar a mercadoria legalizada, pagando todos os impostos, a correr o risco de ir até o Paraguai e perder tudo na Ponte da Amizade. As roupas usadas importadas estão incluídas entre os produtos de cota zero. Se forem apreendidas pela Receita Federal, perde-se tudo.
Mesmo com custo mais alto, a loja de Foz do Iguaçu vende as roupas por preços similares aos de suas concorrentes de Ciudad del Este. No varejo, um casaco de lã, por exemplo, pode ser comprado por R$ 25,00 e um sobretudo por R$ 45,00. A loja também fornece para outros 30 clientes no atacado, que revendem em Campo Mourão, Maringá e Curitiba. Apesar das boas vendas no inverno, Utara diz que está pensando em fechar a loja no verão.


