Cresce a venda de fruta nas ruas
Marcos Zanatta
De Maringá
O abacaxi é a fruta da vez em Maringá. Desempregados e caminhoneiros descontentes com o valor e a falta de fretes estão comprando a fruta no interior de São Paulo para revender nas ruas de Maringá. Nos últimos meses, proliferaram as caminhonetes que vendem abacaxi nas avenidas de maior movimento ou nas entradas e saídas da cidade.
Apenas um proprietário de caminhão revelou que vende, em média, 10 toneladas de abacaxi por semana em Maringá. Tenho seis pontos de vendas e às vezes a procura chega a ser maior, diz Valdir Rodrigues, que está comprando abacaxi em Guaraçaí (SP), quase na divisa com Mato Grosso do Sul.
Antes da invasão de vendedores da fruta na cidade, ele chegava a contratar outro caminhão para buscar abacaxi. Agora, tem muita gente fazendo isso e as vendas caíram bastante, queixa-se. Rodrigues espera uma melhora com o final do ano e o pagamento do 13º salário. No final do ano passado cheguei a vender um caminhão por dia, mas acho que este ano será diferente porque as pessoas estão sem dinheiro.
Os vendedores também reclamam da concorrência. Onivaldo Costa, há um ano vendendo abacaxi na Avenida Colombo em frente a UEM, garante que as vendas estão fracas porque tem muita gente no ramo. Ele compra a fruta por quilo, classifica e vende por tamanho, a R$ 3,00 cada dez pequenos, R$ 5,00 dez médios e R$ 5,00 sete grandes. O sabor é tudo igual, garante. Dá para sobreviver, diz.
O desempregado Benedito Antonio, que vende abacaxi na esquina das avenidas Colombo e Pedro Taques, também reclama da queda nas vendas. Nos últimos dias até o movimento de carros por aqui é menor, constata. Ele trabalha com uma caminhonete na cidade e com outra na rodovia entre Maringá e Sarandi. O movimento na estrada é menor porque as pessoas evitam parar.
João Gomes Dias, que está há mais tempo vendendo frutas no cruzamento entre as avenidas Perimetral e Cerro Azul, disse que foi obrigado a diversificar. Ele vende abacaxi, melancia e côco verde. Mesmo assim diz que dá só para sobreviver.
Um dos mais antigos vendedores de frutas de Maringá, que faz ponto na Praça dos Expedicionários, também critica a proliferação de ambulantes vendendo abacaxi. Há quatro anos no local, Welington Clayton Silva vende de tudo, inclusive jaca. Mas a procura mesmo, revela, é por melancia, abacaxi e côco gelado. Ele calcula que chega a vender 3 mil quilos de frutas por mês, trabalhando todos os dias. Nos finais de semana passa muita gente de fora por aqui e não dá para ficar em casa nem um dia. As vendas já não são tão boas como há alguns anos.





