Cresce a expectativa de vida do brasileiro
Índice aumentou para 76,3 anos em 2018; Paraná está na 7ª colocação entre todas as unidades da federação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de novembro de 2019
Índice aumentou para 76,3 anos em 2018; Paraná está na 7ª colocação entre todas as unidades da federação
Simoni Saris - Grupo Folha 
A expectativa de vida do brasileiro aumentou em três meses e quatro dias entre 2017 e 2018, chegando a 76,3 anos. Os catarinenses são a população com maior esperança de vida do País, com 79,7 anos, e os maranhenses, os que têm a menor longevidade: 71,1 anos. O Paraná está na sétima colocação entre todas as unidades da federação, com uma estimativa de vida de 77,7 anos. Os números estão na Tábua Completa de Mortalidade Brasil – 2018, divulgada nesta quinta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A esperança de vida dos brasileiros vem aumentando gradativamente desde 1940. Um brasileiro nascido naquele ano tinha uma estimativa de chegar aos 45,5 anos. Em quase oito décadas, a estimativa cresceu em 30,8 anos.
“Esse comportamento é esperado pelo mundo todo. Todos os países, até os que não se desenvolveram, ganham um pouquinho a cada ano. Há países com expectativa em torno dos 50 anos e outros, próximos dos 80 anos, mas em todos eles há sempre ligeiros avanços. A tendência é ganhar um ano na estimativa a cada quatro ou cinco anos”, avaliou o pesquisador da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, Márcio Minamiguchi.
Esses avanços graduais estão relacionados à evolução da medicina e ao acesso mais amplo das tecnologias disponíveis na área da saúde, mas para o médico geriatra Marcos Cabrera, mais do que comemorar o acréscimo de anos aos dados estatísticos, os números do IBGE propõem à sociedade uma reflexão sobre as formas de se garantir maior qualidade de vida e trazem um desafio coletivo.
“Quando a gente olha só para a expectativa de vida, fica com a ideia de que estamos melhorando. A expectativa é um fator de saúde importante, mas não temos garantia de que estamos acrescentando qualidade a esse tempo”, destacou.
Para uma parcela da população brasileira, ressaltou o geriatra, acrescentar mais anos à vida significa uma vida com menor qualidade. “Boa parte das pessoas vai chegar aos 76 anos esquecida, com dificuldade de caminhar, de enxergar, de escutar, de viver sozinha, mas existem outros que vão chegar bem. É um desafio importante para a sociedade, não só do ponto de vista médico, mas também para o mercado de trabalho, lazer, cultura. É preciso fazer essas pessoas se sentirem cidadãs.”
Hoje, lembrou Cabrera, uma pessoa que se aposenta aos 60 anos, ainda terá pela frente mais duas décadas de vida. “Quais os projetos onde ela vai ser inserida?”, questionou.
HOMENS X MULHERES
O estudo revelou ainda que as mulheres tendem a viver mais do que os homens. A expectativa de vida para elas saltou de 79,6 anos em 2017 para 79,9 anos em 2018. Entre a população masculina, o aumento foi de 72,5 para 72,8 anos no mesmo período. Segundo o IBGE, a diferença na esperança de vida entre os sexos é mais acentuada conforme a faixa etária, fenômeno denominado “sobremortalidade masculina”.
MORTALIDADE INFANTIL
Os indicadores também são positivos para a mortalidade infantil, que baixou ainda mais, confirmando a tendência de queda. O registro de mortes antes de completar um ano de vida caiu de 12,8 a cada mil nascidos vivos para 12,4 por mil de 2017 para 2018. Até os cinco anos de idade, a mortalidade baixou de 14,9 por mil para 14,4 por mil de um ano para outro.


