Pode parecer estranho, mas às vésperas do século 21 muitas mulheres ainda acreditam que cerveja preta, canjica e arroz doce ajudam na produção do leite materno. Com o mesmo intuito, evitam alimentos gordurosos como, por exemplo, carne de porco. Essas e outras crendices demonstram a falta de informação sobre o aleitamento materno em todas as classes sociais observada por alunas do quarto ano de enfermagem do Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon).
Há quatro anos, esta instituição desenvolve um projeto com puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz) da Maternidade Municipal Lucila Ballalai que incentiva a amamentação. Segundo as professoras-coordenadoras, Lilian Poli e Mauren Mendes Tacla, 95% das mais de 1.700 mães atendidas nesse período apresentam disposição em amamentar mas, em geral, apenas 50% delas utiliza o leite materno como alimento exclusivo nos primeiros 30 dias de vida do recém-nascido.
‘‘Notamos que a influência familiar é muito grande e de fundamental importância para a mãe. Se ela não recebe apoio e condições para amamentar o filho facilmente substituirá seu leite pela mamadeira que, além de mais cara e trabalhosa, tem menos qualidade’’, disseram as professoras. O leite materno é o melhor e mais completo alimento para o bebê e, por isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda que ele seja o único sustento da criança até os seis meses de idade e que continue a fazer parte da dieta até os dois anos.
No Brasil, essa necessidade transformou-se em direito garantido na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e Adolescente. No entanto, poucas pessoas reconhecem esse benefício, motivo pelo qual o Hospital Evangélico de Londrina organizou há 15 dias um encontro de conscientização entre comerciantes, farmacêuticos, Vigilância Sanitária, Pastoral da Criança, Secretaria Municipal da Mulher e representantes de diversos estabelecimentos de saúde.
A legislação garante a toda trabalhadora 120 dias de licença-maternidade, dois intervalos de meia hora durante o trabalho para amamentar o bebê, creche ou uma sala com freezer para coleta do leite. ‘‘O respeito a essas conquistas não traz prejuízos para o empresário, muito pelo contrário. A mulher que amamenta falta menos ao trabalho e produz mais porque se sente mais satisfeita’’, explicou Lylian Daleti Soares de Araújo, conselheira de aleitamento materno do Hospital Evangélico, professora de enfermagem na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e membro do Comitê de Aleitamento Materno (Calma).
Essas e outras informações estão sendo divulgadas com maior ênfase até o próximo dia 8 em comemoração a Semana Mundial de Aleitamento Materno que este ano tem como tema ‘‘Amamentar é um Direito Humano’’.
Ontem, o Ministério da Saúde lançou uma campanha para estimular o aleitamento materno e melhorar as ações de saúde voltadas para crianças em todo o País. O ministro José Serra assinou dois protocolos, um com a Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos (ECT), que vai estender o projeto Carteiro Amigo às regiões Norte e Centro-Oeste, e outro com a Fundação Abrinq e o Citibank, criando Bibliotecas Vivas em cinco hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS). (Com Agência Estado)