Rio, 11 (AE) - O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) pediu ao Hospital Salgado Filho informações para apurar possíveis responsabilidades de médicos na atuação do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, que confessou ter matado pacientes. "Não tenho receio de nenhuma investigação", afirmou hoje o diretor do Salgado Filho, Flávio Adolpho Silveira.
O conselheiro Mário Noronha de Carvalho, diretor do Departamento de Processo Ético-Profissional do Cremerj, disse que se forem encontrados sinais de negligência médica no episódio, a entidade abrirá uma sindicância. O Cremerj quer saber se a chefia da Unidade de Pacientes Traumáticos foi omissa
mas informou que faltam dados básicos para uma investigação sobre o caso. "Queremos saber quem trabalha lá, se a chefia tinha conhecimento da sua atuação etc", explicou.O pedido de informações é apenas sobre a UPT e que, aparentemente, não é possível responsabilizar a direção do Salgado Filho pelos crimes cometidos por Izidoro.
A comissão nomeada pela Prefeitura para apurar as mortes do ocorridas no Salgado Filho tem Guimarães como único suspeito, segundo informou o subprocurador do Município, André Tostes. "Vamos ouvir outras pessoas que trabalhavam com ele e, se aparecerem novos suspeitos, serão investigados", disse Tostes.
Potássio - O diretor do Salgado Filho garantiu que o uso de cloreto de potássio na UPT e o trabalho do auxiliar de enfermagem eram fiscalizados. O superintendente do Serviço de Saúde da Secretaria Municipal, Joaquim Werneck de Castro, no entanto, afirmou que o cloreto de potássio é uma substância de fácil acesso em qualquer unidade de emergência, embora possa ser letal se ministrada em doses altas. "Comumente é usado em pacientes graves", disse. "Não é uma substância controlada."
Máfia- O diretor do Salgado Filho voltou a negar que soubesse da ação da máfia das funerárias dentro do hospital, embora parentes de vítimas tenham testemunhado o contrário e apresentado cartões de funerárias com o telefone do hospital. "Isso é proibido pelo estatuto dos servidores e, se aconteceu deve ser apurado", disse.
Para o deputado estadual Paulo Pinheiro (PPS), ex-diretor do Hospital Miguel Couto, o Estado deve regularizar a atuação das funerárias dentro dos hospitais. "É preciso criar, por lei, um departamento nos hospitais para comunicar a morte dos doentes", diz ele. "Essa notícia não deve ser dada por um funcionário qualquer, nem pelas funerárias."
Há dois meses, o chefe do serviço de Telecomunicações do hospital foi afastado, segundo Joaquim Werneck de Castro, por envolvimento com a máfia das funerárias. "Houve desconfiança no trabalho", limitou-se a dizer Silveira.

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