Cremerj aponta falhas em setor de necrópsia
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Beatriz Coelho Silva e Roberta Jansen 
Rio, 12 (AE) - O presidene do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj), Bartholomeu Coelho, disse hoje que o funcionamento precário do setor de anatomia patológica dos hospitais públicos pode ter facilitado as mortes no Hospital Municipal Salgado Filho. Este serviço deveria fazer a necrópsia de todos os mortos do hospital, o que não acontece.
"Sem necrópsia, os médicos assinam atestados de óbitos com causa indeterminada, o que dificulta a verificação de anormalidades", disse Coelho. O diretor do Salgado Filho, Flávio Adolpho Silveira, não quis comentar o assunto.
O presidente do Cremerj explicou que todo hospital é obrigado a ter uma comissão de verificação de óbitos, que examina os prontuários dos falecimentos "para verificar se eles estão dentro do cronograma das possibilidades de acontecimentos". Não existindo esta comissão, o diretor-médico do hospital responde pelas ocorrências de mortes.
Amanhã (13) o Cremerj vai enviar um pedido de informações ao Hospital Salgado Filho para saber se lá há essa comissão, quem são os médicos responsáveis e se eles agiram corretamente no caso das mortes.A direção da unidade hospitalar recusou-se a informar se tal comissão existe.
Coelho disse que, de posse das informações, o Cremerj espera concluir sua sindicância sobre a responsabilidade do hospital nas mortes e abrir um processo ético contra os responsáveis.
Protesto- Parentes das supostas vítimas do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães fizeram hoje um protesto na porta do Hospital Salgado Filho. Eles reclamaram de ser tratados com descaso pela direção do hospital, que não lhes fornece o Boletim de Atendimento Médico (BAM) do parente morto, e pelas autoridades policiais, que não aceitam registrar queixa crime contra Guimarães sem o documento.
O BAM é um documento importante para as investigações porque é nele que são registrados todos os detalhes sobre a enfermidade, tratamento recebido e a causa da morte do paciente. A Secretaria Municipal de Saúde explicou que os documentos serão entregues em prazo de quinze ou trinta dias.
A prefeitura insistiu hoje que as indenizações só serão pagas aos parentes dos pacientes que tenham comprovadamente sido vítimas do auxiliar de enfermagem e não para as famílias das 131 pessoas que morreram nos plantões de Guimarães. Para isso, serão cruzados dados como horário de entrada na unidade, horário da morte, patologia, entre outros.


