Um creme dental que promete realmente tratar a gengivite e outros problemas bucais, como sangramentos, hipersensibilidade, inflamações, placas bacterianas e cáries. Essa é a promessa de um produto com tecnologia paranaense, desenvolvido pelos dentistas Hamilton Landi e Flávio Landi. A novidade é o uso de um anti-séptico bastante comum - a cloramina - mas que nunca havia sido aplicado para esse fim.
A gengivite, segundo Hamilton, de Londrina, é uma resposta inflamatória da gengiva a alguns fatores, bactérias principalmente. Ele explica que a placa bacteriana é um biofilme que ''sempre vai existir'', mas, por algum desequilíbrio, o organismo deixa de ser resistente, resultando na doença gengival ou na cárie. O excesso de açúcar, que fornece ''material'' para as bactérias se reproduzirem, e doenças sistêmicas, como diabetes, são exemplos de causas desse desequilíbrio.
A prevenção, e também uma das formas de tratamento, inclui a boa higiene dental, com uso de escova e fio, e uso de cremes e bochechos. Mas há casos em que mesmo com todos esses cuidados o organismo não ''responde''. E se o organismo não responde, ou se não há cuidados, o perigo é ocorrer a chamada doença periodontal, que pode chegar à retração gengival e até a perda de dentes.
Pode parecer incomum, mas foi o caso da doença periodontal de Flávio, que o fez pesquisar uma nova forma de tratamento. Ele tinha indicação cirúrgica para tratar o problema, mas conseguiu solucionar o caso com bochechos de hipoclorito a 1%. O uso dessa substância, que nada mais é que uma solução menos concentrada de água sanitária, o fez buscar os livros do pai, dentista na década de 40, para pesquisar outras substâncias anti-sépticas.
E foi nesses livros que encontrou a cloramina, largamente utilizada antes do advento dos antibióticos, e até hoje usada como bactericida e como esterilizador de água de piscina. ''Nos associamos a um laboratório de Cornélio Procópio para criar o creme dental e o bochecho. Não descobrimos a substância, mas sim o uso dessa forma'', ressalta Hamilton.
De lá para cá foram oito anos de testes em universidades como a Estadual de Londrina (UEL) e a USP de Ribeirão Preto, até o produto chegar ao mercado, aprovado pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO). O creme dental, que recebeu o nome ''Trihydral'', tem solução de 0,2% de cloramina, e já é comercializado, desde maio, em farmácias nas cidades da região norte do Paraná, em Curitiba e em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
O uso desse produto, atesta Hamilton, é especialmente interessante naqueles casos de pessoas mais sensíveis, que mesmo com cuidados constantes de higienização bucal, sempre tem problemas e precisam fazer limpezas profissionais em curtos períodos. Nos casos de sangramento, por exemplo, a redução é de 80% em três a quatro dias. Para hipersensibilidade, afirma Hamilton, é possível perceber mudanças em três dias, bem diferente que outro tipo de creme dental para dentes sensíveis, que apresenta resultados em 20 dias.

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