Crédito rural de R$ 13 bi "é só promessa", diz Homem de Melo
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 25 (AE) - O anúncio feito hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de R$ 13,1 bilhões em recursos para o crédito rural, é só mais uma promessa e deve ser recebido com cautela pelos produtores, segundo o especialista em economia agrícola Fernando Homem de Melo, da Universidade de São Paulo. "É mais uma promessa que será corroborada ou não nos próximos meses", afirmou.
Ele acredita que, como na safra passada, os produtores terão de verificar se os recursos existem efetivamente. No plano de safra 98/99, o governo anunciou recursos da ordem de R$ 11 bilhões, mas foram liberados R$ 7,5 bilhões.
Apesar das críticas, Homem de Melo considera que a direção tomada pelo governo é a correta, ao decidir ampliar os recursos para o crédito rural, uma vez que houve aumento dos custos de produção na agricultura. "A direção é correta, mas se irá se concretizar é muito diferente", disse.
O analista vê ainda um erro de diagnóstico do presidente Fernando Henrique, que afirmou em seu discurso durante o anúncio do Plano de Safra 1999/2000 que encontrou a agricultura em "situação desesperadora" no início de seu governo.
Para Homem de Melo, a situação da agricultura piorou exatamente no governo Fernando Henrique por causa da âncora cambial, que deprimiu os preços agrícolas, levando produtores ao endividamento e estagnando a produção. Em sua análise, a situação começou a melhorar agora, após a desvalorização cambial.
Prioridade - Homem de Melo considerou positivo o programa Novo Mundo Rural, que terá R$ 3,4 bilhões em recursos para pequenos produtores e para assentados da Reforma Agrária. Para ele, o programa mostra uma mudança de prioridade do governo em relação à agricultura, pois "até a década passada o crédito agrícola era voltado para a grande produção". Este ano, disse, o governo "escolheu politicamente atender a agricultura familiar e os pequenos".
Mas mesmo considerando o programa positivo, o especialista em economia agrícola acredita que os médios e grandes produtores podem ser prejudicados, uma vez que os recursos em valores reais que lhes serão destinados podem ser menores (considerando a desvalorização cambial e o aumento de custos).
Como o crédito anunciado é de R$ 13,1 bilhões e desse total, R$ 3,4 bilhões seriam para o novo programa, os produtores poderão ter de disputar uma soma de recursos em valor real inferior à do ano passado, de acordo com Homem de Melo.
Em relação ao aumento dos preços mínimos para os produtos agrícolas, o analista disse que o produtor não deve acreditar que o governo tem, com essa medida, a intenção de reativar a política de garantia de preços mínimos. "O aumento não é um sinal de que o governo quer reativá-la. (...) Ele vem dando evidências de que quer sair da política de preços mínimos". Homem de Melo acha que a medida é apenas "retórica"
uma tentativa de dar "algum estímulo" aos produtores agrícolas.
A íntegra das medidas do plano agrícola 1999/2000 está no AgroCast, da Agência Estado (www.agrocast.com.br).


