Crédito para dívida de empresas deve cair com recuperação do real
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 10 (AE) - O governo vai rever a necessidade de criar uma linha de crédito especial para ajudar empresas com dívidas em dólar no exterior. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, o programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciado no fim de abril, pode não ser levado adiante.
De acordo com Lafer, quando o programa foi lançado, a situação cambial do País era diferente. Como a cotação do dólar está se estabilizando e há projeções menos pessimistas para a economia brasileira, "a operação proposta pode não ter o mesmo sentido de oportunidade de quando foi concebida", afirmou ele hoje, em São Paulo.
O programa também não teria recebido muitas consultas de empresas interessadas. O prazo para o envio de cartas com as ofertas dos investidores vence no próximo dia 21. "Estamos avaliando se o projeto será levado adiante", afirmou o ministro.
O BNDES montou uma operação de emissão de títulos para reestruturação das dívidas de cerca de 90 empresas que lançaram bônus no exterior. A operação envolveria um montante mínimo de US$ 1 bilhão e permitiria aos investidores que detêm bônus dessas empresas trocá-los pelos novos títulos, com prazo de vencimento de dez anos.
Exportações - O ministro confirmou hoje que a meta do governo de obter um superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial deste ano foi revista para baixo. "Se conseguirmos de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões já estaremos bem", disse ele, ressaltando, porém, que os números são apenas projeções de curto prazo.
Segundo o ministro, a meta não será alcançada porque parte dela era de commodities que estão com preços em queda lá fora e parte porque as exportações para a América do Sul também serão reduzidas.
Apesar da meta menor, os recursos para financiamento às exportações serão maiores neste ano. O BNDES vai dispor de US$ 2 5 bilhões em recursos, ante os US$ 2 bilhões do ano passado.
Lafer, que participou de um encontro com empresários organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, também aproveitou para defender a necessidade urgente de aprovação da reforma tributária.
Ele sugeriu, entre outros itens, a substituição de impostos e contribuições por uma cobrança única e a redução da carga tributária dos atuais 30% a 32% para cerca de 20%.


