Washington, 26 (AE) - Um mês e meio depois de ter fechado um acordo de com os bancos privados, para manterem as linhas de crédito interbancárias e comerciais aos níveis de 28 de fevereiro, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou que esse objetivo foi mais que cumprido. As linhas não apenas foram mantidas, como renovadas em 148%.
Os empréstimos de bancos a bancos, segundo o diretor para área internacional do Banco Central, Daniel Gleizer, hoje estão acima de US$ 21,9 bilhões. Já os empréstimos de bancos a empresas, estão em US$ 20,5 bilhões. Em meados de março passado, o governo havia pedido a manutenção de linhas num total de US$ 28 bilhões.
Numa palestra para banqueiros do Institute of International Finance (IIF), que reúne 300 instituições financeiras mundiais, Fraga disse que não esperava por resultados tão bons há algumas semanas. Mas agora este e outros cálculos estão sendo revistos: segundo ele, um apanhado de estudos feito pelo Banco Central, apontam para uma queda do Produto Interno Brasileiro (PIB) de "2% ou menos" este ano.
Alerta - O economista-chefe do ING-Barings, Arturo Porzecanski, que participou da palestra no IIF alertou: o otimismo, que tomou conta dos mercados em relação ao Brasil, tem limites. "Se o presidente Fernando Henrique Cardoso e o Congresso não começarem a tratar das reformas estruturais que faltam, nessa segunda metade do ano, os sentimentos dos investidores mudarão", disse.
Segundo Porzecansky, o ideal seria as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) bancária e judiciária encerrarem seus trabalhos até o final de maio.
"As reformas tem que ser aprovadas o quanto antes e cabe ao poder executivo conduzir o processo de tal forma que sejam colocadas sobre a mesa agora", disse o economista. "Se eu não perceber que estão na agenda do Congresso em dois ou três meses, de otimista passarei a ser crítico", acrescentou.
Em fevereiro passado, quando os mercados ainda duvidavam da capacidade de o Brasil se recuperar da crise, desencadeada pela fracassada tentativa de manter inalterado o valor do real, Porzecansky foi um dos primeiros a prever a volta por cima. Na sexta-feira passada, o ING-Barings refez seus cálculos: substituiu a previsão de queda de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), para este ano, por outra menor, de 3%.
Mas segundo o economista, ainda existe margem para reduzir essa porcentagem. O economista-chefe da Goldman Sachs, Paulo Leme, também comentou as reformas: "Existe uma janela de 9 a 12 meses, entre a CPI e as eleições do ano que vem, para aprovar as reformas e algumas delas, dada a sua complexidade, podem atrasar".
A reforma de maior impacto, segundo ele, é a Lei de Responsabilidade Fiscal - mas tanto esta, quanto a reforma tributária estão na lista das mais difíceis. "Mas quem analisa de perto o Brasil já sabe o quanto essa discussão é complexa" disse.

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