Brasília, 20 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, anunciou hoje oficialmente a abertura de mais 50 mil vagas este semestre no Financiamento Estudantil (Fies). Universitários interessados em concorrer à nova seleção para o crédito educativo deverão inscrever-se entre os dias 24 de abril e 31 de maio nas instituições em que estudam. As atuais regras de pagamento às universidades, no entanto, ameaçam a expansão do programa - que ganhou a adesão de 50 instituições, 13 delas em São Paulo.
Com a seleção de mais 50 mil estudantes, o governo deverá passar a atender cerca de 170 mil universitários - dos quais 120 mil ligados ao Fies, que utiliza títulos da dívida pública para pagar as mensalidades das instituições de ensino. O problema é que, com os títulos que recebem do Ministério da Educação (MEC), as universidades só podem quitar suas dívidas previdenciárias. Assim, caso atendam mais estudantes do Fies, não terão como gastar os títulos recebidos acima do valor devido à Previdência.
"Essa limitação compromete o futuro do programa e o governo sabe disso", disse o diretor do Fies, Floriano Pesaro, que negocia com o Ministério da Fazenda formas alternativas de pagamento às instituições de ensino. Uma delas seria repassar em dinheiro o valor das mensalidades relativas a estudantes que estourassem a cota da contribuição previdenciária das instituições. A outra é aceitar os títulos no pagamento de outros impostos.
É o que defende o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Maurício Chermann. "O correto seria podermos usar os títulos para pagar qualquer imposto federal", afirmou Chermann, que é reitor da Universidade Brás Cubas.
Flexível - A seleção dos 50 mil beneficiados será mais flexível, de modo a atender alunos carentes, segundo Paulo Renato. Os candidatos devem apresentar fiador, com renda duas vezes maior do que o valor da mensalidade. Antes, só era possível recorrer a dois fiadores para, somando as rendas, atingir o valor exigido. Na nova seleção, o MEC aceitará até quatro fiadores.
Além disso, alunos que pagam aluguel ou têm doentes crônicos na família serão privilegiados na seleção. "Os alunos carentes terão Mais chances", disse Paulo Renato. A pré-inscrição no Fies poderá ser feita pela Internet, devendo ser confirmada nas instituições. Cursos com mau desempenho no Provão e na Avaliação das Condições de Oferta ficarão de fora.
O MEC dever firmar convênio em abril com instituições que selecionam candidatos para estágios, a fim de privilegiar os beneficiados pelo crédito educativo. "O governo deveria exigir um bom desempenho acadêmico de quem recebe o crédito", sugeriu a estudante de relações internacionais Érica Nascimento Barros, que é candidata ao benefício.

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