São Paulo, 1 (AE) - A queda progressiva nas taxas de juros e a perspectiva de melhoria do cenário econômico trouxeram para o comércio, em maio, uma recuperação das vendas a prazo e do crédito de inadimplentes. O número de dívidas acertadas de carnês em atraso foi recorde no ano e o segundo melhor resultado da série histórica.
Pela primeira vez também neste ano, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) tiveram resultado positivo na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O SCPC cresceu 1,6% em relação a maio de 98. Para se ter uma idéia, na comparação abril de 99 com abril de 98, o SCPC estava com queda de 13,4%.
O aumento do SCPC em maio com relação a abril foi de 31 2%. Mas parte desse crescimento se deve ao fato de maio ter um dia a mais do que abril. Mesmo assim, o resultado está acima do esperado para essa época. Por causa das vendas de Dia das Mães o SCPC costuma ter um aumento de sazonalidade de 15% em relação a abril.
"Tudo indica que estamos tendo uma reversão do quadro negativo verificado no início do ano e que agora a tendência é de recuperação," diz o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti.
As consultas ao Telecheque, indicador das vendas à vista
tiveram resultado negativo com queda de 11,7% em relação a maio de 98. Segundo Burti, esse recuo pode ser explicado pelo achatamento da renda da população e também pela maior cautela do varejo no recebimento de cheques, devido aos grande número de cheques sem fundos e sustados.
Outro motivo, lembra, é que em maio de 98 as vendas a crédito estavam fracas e o Telecheque teve um desempenho muito bom. "Nesse caso, estamos a base de comparação acaba sendo muito alta." Mas na comparação com abril, o Telecheque em maio, por causa do Dia das Mães, teve crescimento de 15,9%.
Dívidas - O total de 256.040 registros cancelados (dívidas acertadas) cresceu 12,2% em relação a abril e foi recorde no ano. O diretor do Departamento de Economia da ACSP, Marcel Solimeo, observa que o número de registros cancelados vem crescendo mês a mês porque o estoque de inadimplentes tem aumentado muito nos últimos quatro anos.
Além do mais, a cada queda da taxas de juros, explica, melhoram as condições de renegociação da dívida, além de se reduzir os atrasos no crediário.
A inadimplência, como era esperado pelo comércio, caiu 6% em maio na comparação com abril. Mas ainda é 2,2% superior a maio do ano passado. presidente da ACSP chamou a atenção para a inadimplência fiscal. Segundo dados que obteve da Receita Federal, por meio de um especialista, ela chega a R$ 90 bilhões. "Precisamos discutir como fazer para as empresas se recuperarem e pagarem esse passivo," diz.
Os dados de insolvência das empresas em maio não registram um aumento de dificuldades. Foram requeridas 872 falências em maio, ante 837 em maio do ano passado (4,2%) e 949 em abril (-8,1%). No mês passado foram requeridas 6 concordatas ante 15 em maio passado e 9 em abril.

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