Paris, 29 (AE) - Dez grupos financeiros franceses e estrangeiros são candidatos à privatização do Crédit Lyonnais, o maior banco estatal do país, cuja má administração no passado causou um prejuízo superior a US$ 20 bilhões aos contribuintes. Por essa razão, o nome desse banco francês foi associado algumas vezes ao do nosso Banespa, cujas perdas foram igualmente importantes e pelos mesmos motivos: má gestão. Muito em breve o banco paulista poderá ter um destino semelhante, assim que completar o processo de saneamento de suas finanças. Hoje, o interesse pela compra do Crédit Lyonnais na Europa é muito grande, fato que demonstra, segundo o Ministério de Economia e Finanças da França, que o estabelecimento bancário está com suas finanças inteiramente saneadas.
A privatização do Crédit Lyonnais está sendo pilotada pelo próprio ministro socialista da Economia, Dominique Strauss Khan, uma demonstração clara de que a coalizão socialista/comunista-verde, que governa a França sob a orientação do primeiro-ministro Lionel Jospin, tem sido responsável pelo maior volume de privatizações já ocorrida no país, acima do que se verificou em governos liberais e gaullistas anteriores, dirigidos por Edouard Balladur e Alain Juppé.
Um levantamento feito recentemente mostrou que os socialistas foram os que mais privatizaram a economia, se comparados com governos conservadores, mesmo que, em alguns casos, eles tenham promovido amplas aberturas de capitais em estatais, mas sem deixar de ter importante posição acionária.
Entre os grupos franceses interessados no Crédit Lyonnais, o Crédit Agrícole é o que tem maiores ambições (10 % do capital), mas também participam da disputa e já apresentaram suas candidaturas ao Ministério de Economia e Finanças o CCF, Crédit Commercial de France, o Banques Populaires e o Paribas, além dos Grupos Axa e LVMH. O BNP e a Societé Génrale, os dois principais concorrentes do Lyonnais, inicialmente interessados, acabaram desistindo, depois de suas candidaturas não terem sido aceitas pela direção do banco estatal.
Entre os estrangeiros constata-se o interesse de bancos e empresas de três nacionalidades diferentes: o espanhol BBV, Banco de Bilbao e Viscaya; o italiano Banco Intesa; o Commerzbank e a companhia de seguros Allianz, representada pela AGF. Por enquanto, a avaliação global do Crédit Lyonnais não foi ainda anunciada oficialmente, mas acredita-se que seja da ordem de 50 bilhões de francos (cerca de US$ 7,16 bilhões).
Nenhum candidato poderá teoricamente obter mais de 10 % do banco. Os candidatos podem solicitar uma participação entre 1% e 4 % ou entre 4% e 10%, nada além disso. Para participar da faixa mais elevada, deverão pagar um preço um pouco mais caro.
Todas essas candidaturas deverão ser examinadas agora pelo Ministério de Economia e pela Comissão de Participações e Transferências, que devem receber em audiência cada um dos candidatos durante o mês de maio. O objetivo é dotar o Crédit Lyonnais de acionistas diversificados, fortes e estáveis, por meio de acordos de cooperação. Uma pré-seleção será proposta pelo ministro no fim de maio. A partir daí, os selecionados terão duas semanas para afinar suas propostas, devendo confirmar as ofertas até meados de junho.

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