Buenos Aires, 16 (AE) - O processo de "estrangeirização" dos bancos argentinos continua em andamento: através do banco Bisel, o francês Crédit Agricole adquiriu 60,4% do Banco del Suquía, que ocupava o décimo-quinto lugar no ranking de depósitos. As ações do banco foram compradas por US$ 157 milhões.
Analistas consideram que a compra do Suquía, que possui seu ponto forte nas províncias do interior, indica uma estratégia do Crédit Agricole de desconcentrar-se da área de Buenos Aires e a região metropolitana, e apostar na expansão da produção agropecuária no centro e nordeste do país.
O Suquía, que possui US$ 2 bilhões em ativos, e US$ 1,24 bilhão em depósitos, pertencia ao Grupo Roggio, um dos principais do país na área de construção civil e que no Brasil possui investimentos em estradas privatizadas. Embora sua fusão esteja prevista só para o 2002, juntos, o Bisel e o Suquía transformaram-se no primeiro no ranking de bancos privados no número de agências, com um total de 347, somente perdendo para o estatal Banco de La Nación.
Além disso, o dueto Bisel-Suquía será o sexto no ranking de depósitos, com US$ 2,95 bilhões; o oitavo em ativos, com US$ 4 64 bilhões; e o sétimo em patrimônio bruto, com US$ 463 milhões. No entanto, através de um comunicado oficial, o Bisel informou que no momento os dois funcionarão de forma independente.
O Crédit Agricole começou sua presença na Argentina em 1996 com a compra de 10% do Bisel, que consistia em uma cooperativa de pequenos bancos do interior criada para resistir à crise mexicana. Dois anos depois, o banco francês já controlava o Bisel, e através dele passou a adquirir outros bancos do interior, como o Comercial Israelita e o Banco de Entre Ríos. Com a adquisição do Suquía, desaparece o nono banco da província de Córdoba, a segunda mais industrializada do país.
Em declarações à imprensa, Bernard Bousse, diretor do Crédit para a América Latina, afirmou que não descarta interesse na privatização do Banco de la Província de Córdoba.
O Crédit Agricole é o primeiro no ranking dos bancos franceses, e o quarto no mundo. Está instalado em 60 países e possui 8 mil sucursais. Foi criado em 1893 para atender clientes agricultores.
Analistas em Buenos Aires consideram que a posição de destaque conseguida pelo Crédit Agricole na Argentina é o começo de uma forte estratégia para expandir-se no Mercosul. A Argentina é o país onde possuem maior presença, mas na região, o banco francês já tem 35% do chileno Banco del Desarrollo, 24% do brasileiro Boavista, além de participações acionárias menores em bancos uruguaios.
Neste mês, outro banco nacional foi adquirido por estrangeiros: o Banco Caja, agora controlado pelo italiano Sudameris. Além disso, o espanhol Santander ofereceu comprar o resto das ações que ainda não possui no Banco Río. Atualmente, 49% dos depósitos bancários argentinos estão em bancos controlados por capitais externos.

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