Credibilidade do BC não sobe com metas, diz Nogueira Batista.
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quarta-feira, 30 de junho de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 1 (AE) - O economista Paulo Nogueira Batista acredita que as metas de inflação, anunciadas ontem pelo governo
são "razoáveis", porque não são difíceis de ser cumpridas. Ao mesmo tempo, porém, o cumprimento não trará "um ganho de credibilidade grande" ao Banco Central.
"O Banco Central quis manter sua flexibilidade. Assim, não estabeleceu metas ambiciosas, e fixou uma faixa de variação ampla", disse Nogueira Batista, ponderando que, em outros países, a faixa de variação é "mais estreita".
Ao mostrar flexibilidade nas metas, Nogueira Batista acha que a autoridade monetária demonstrou que quer manter a inflação baixa, o que é positivo. "Se o BC fosse ambicioso e rígido, ficaria entre a cruz e a caldeirinha", disse, explicando que o BC ou não cumpriria as metas ou teria de levar o País a uma recessão maior do que a atual.
Assim, se não abre espaço para a retomada do crescimento
Nogueira Batista disse que o BC "preserva o espaço que já existia". "É uma postura pragmática, mas não têm importância maior no cenário macroeconômico." A partir da alta de apenas 0 25% nos juros americanos, Nogueira Batista acredita que é possível uma redução da taxa de juro básica nos próximos dias, antes da próxima reunião do Copom. "É possível que a redução seja acelerada", disse. Ele acha factível a meta do governo federal, de uma taxa real de 10% no fim deste ano.


