Creci mostra que cresceu 32,58% volume de imóveis alugados na capital
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Roseli Loturco 
São Paulo, 22 (AE) - O volume total de imóveis alugados em janeiro na cidade de São Paulo aumentou 32,58%, em relação a dezembro, quando 961 imóveis foram locados. Pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) do Estado de São Paulo em 446 imobiliárias em todas as regiões da capital constatou que, em janeiro, foram alugados 1.174 imóveis, sendo 717 casas (61% do total) e 457 apartamentos (39%). Em 11 meses, de fevereiro de 1999 a janeiro de 2000, o volume acumulado de locações aumentou apenas 1,16%.
Apesar disso, o aluguel de apartamentos na capital ficou mais barato nesse mesmo mês. A maioria dos apartamentos de 1, 2 e 3 dormitórios alugados na cidade teve valores de contrato inferiores ao de dezembro. A baixa geral do aluguel atingiu especialmente os imóveis típicos de classe média. Para o presidente do Creci, Roberto Capuano, essa queda no valor do imóvel é por causa do baixo poder aquisitivo da população.
"Vivemos um momento de grande contradição no que diz respeito ao valor do aluguel na cidade de São Paulo e em todo o País; enquanto os índices demonstram um volume significativo de pessoas que procuram imóveis para alugar, o seu valor real cai; em qualquer lugar do mundo, esse seria um bom momento para os proprietários negociar com os seus inquilinos bons valores de locação para os seus imóveis." "Só que isso não acontece no Brasil devido ao baixo poder aquisitivo da população; a única forma de ativação do consumo na economia brasileira só será possível ser feita via aumento salarial; tem de aumentar o poder aquisitivo da população", avalia Capuano.
O aluguel de apartamento de dois dormitórios caiu em todas as regiões da cidade, dos Jardins à periferia. A queda variou de 1,93%, na zona A, onde estão bairros como Higienópolis e Pacaembu, a 8,84%, na zona E, que reúne bairros como Brasilândia, Itaquera e Guaianazes. Nos apartamentos de três dormitórios, a queda foi ainda maior. A redução do valor do aluguel foi de 6,51% na zona A e 16,81%, na E. O aluguel médio em janeiro na zona A girou em torno de R$ 1.032,69. Na zona E, foi de R$ 414,29.
"Apesar das constantes quedas no valor do aluguel, ainda há margem de redução de seus valores, se o poder aquisitivo da população continuar caindo; cabe considerar, no entanto, que o proprietário de imóvel é um sujeito teimoso, e irá segurar até o último momento o valor a ser cobrado de sua propriedade", avalia Capuano. O presidente do Creci considera ainda que o valor de locação do imóvel cobrado hoje na capital é justo, se considerarmos que, em janeiro de 1994, com a desvalorização do real, esse mesmo bem teve o valor de locação acrescido em 1,5%.
O volume de financiamento de imóveis feitos pela Caixa Econômica Federal (CEF) no País deve pelo menos triplicar este ano, atingindo o total de 600 mil linhas de créditos, de acordo com Capuano. A base de aumento será a "poupança zero", financiamento para compra da casa própria lançado no fim de 1999 pelo banco e que custeia a população em 100% do valor do imóvel - uma nova versão da carta de crédito.
"Os imóveis populares, até R$ 20 mil, serão os mais favorecidos com a nova linha de financiamento da Caixa; para ser bastante pessimista, com a poupança zero, o volume total de pessoas que irá buscar crédito para compra da casa própria este ano deverá ser, pelo menos, três vezes maior que o total financiado no todo País no ano passado", afirma o presidente do Creci.
Desde o lançamento das cartas de crédito pelo governo federal, em junho de 1997, foram financiados cerca de 700 mil imóveis na faixa entre R$ 20 mil a R$ 25 mil no Brasil. Só em 1999, foram emitidas 200 mil cartas de créditos - 30% deste total são de imóveis locados em São Paulo.
A pesquisa do Creci constatou também que a maioria dos imóveis alugados em São Paulo se concentra na faixa de valor de até R$ 599,00. O aluguel até R$ 200,00 representou 10,86% do total de contratos fechados em janeiro, enquanto que as locações que variavam entre R$ 201,00 e R$ 399,00 concentrou 42,92% das contratações e os aluguéis com valores entre R$ 400,00 e R$ 599 00 responderam por 25,19% dos contratos fechados.
A estimativa do número de imóveis vagos para alugar na cidade de São Paulo é de 50 mil unidades, considerando-se os estoques declarados pelas 446 imobiliárias e a projeção estatística sobre o universo de 7 mil empresas imobiliárias na capital.


