Creches filantrópicas fecham as portas
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Danilo Marconi <br>Reportagem Local 
Londrina - A Associação Metodista de Assistencia Social (AMAS) concluiu o processo de rescisão trabalhista de 23 professores que lecionavam em creches filantrópicas mantidas pela instituição. O Centro de Educação Infantil (CEI) Francisco Seixas, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), atendia 60 crianças. Já o CEI Regina Barros, no Conjunto Violin (Zona Norte), 55.
Este é o capítulo final de uma longa batalha administrativa-financeira vivenciada pela instituição. Em pelo menos duas ocasiões no ano passado os professores cruzaram os braços em protesto por atrasos nos salários. ''A falta de repasse no passado, segundo a prefeitura, ocorreu pela ausência de documentações fiscais da mantenedora. Entendemos que neste caso específico é um problema de gestão'', analisou o advogado do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares (Sinpro), André Cunha. Nenhum responsável pela AMAS foi localizado.
O fechamento das creches a menos de dez dias do início do ano letivo pegou muitos pais de surpresa. Edna Alves Silva tinha dois netos matriculados no CEI Francisco Seixas. ''A creche me ajudava muito, porque tenho reumatismo e muitas vezes passo por tratamento médico prolongado. Lá, sabia que as crianças eram bem cuidadas'', disse a dona de casa.
Rosângela Nunes de Oliveira cuida de dois sobrinhos. O garoto de 2 anos foi aceito no Caic da Zona Sul, já o irmão não. ''Tentei matriculá-los, mas só um conseguiu vaga. Para mim é difícil, porque os pais deles estão presos, tenho uma sogra com Alzheimer e meu filho tem apenas cinco meses. Não tenho ideia do que fazer, a quem recorrer'', disse a dona de casa. Ele não larga a mochila comprada para o irmão, onde serão mandados os lanches e as fraldas.
Outras mulheres estão com receio de não conseguir conciliar o trabalho com os cuidados com os filhos. ''Fui até a creche, mas disseram que não estava recebendo mais crianças. Daí tive que sair do serviço'', revelou a dona de casa Larissa Bepetriz, mãe de um menino de 2 anos. A comunidade do Jardim União da Vitória marcou uma reunião para hoje a tarde com representantes da Secretaria Municipal de Educação.
A Secretaria Municipal de Educação contava com 11 creches municipais e 67 filantrópicas. Ano passado, 7,9 mil crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas na educação básica. O déficit de vagas é superior a 3 mil.
A Secretaria de Educação garante que algumas unidades serão municipalizadas, mas o número total não é revelado.


