Arquivo FolhaUniformizaçãoO MEC considera que todas as crianças de zero a seis anos do País têm direito a aprender O primeiro referencial curricular nacional para a educação infantil já feito no País, divulgado ontem pelo MEC, tem como principal objetivo melhorar a qualidade da educação em creches e pré-escolas. ‘‘Oferecemos a perspectiva de que as creches deixem de ser depósitos de crianças e passem a ter também um conteúdo educacional’’, afirmou ontem em Brasília o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
‘‘Estamos dando alguns referenciais para que as pessoas que organizam e tomam conta de creches possam começar a abrir a sua mente para essa outra dimensão do atendimento à criança, que é a dimensão educacional’’, disse. Os parâmetros não são de uso obrigatório. Eles servem de subsídio aos profissionais que trabalham com educação infantil (destinada a crianças de zero a seis anos de idade e desenvolvida em espaços como creches, pré-escolas, berçários e centros de recreação).
‘‘No Brasil existe uma grande heterogeneidade nesse tipo de atendimento, com coisas muito boas e outras não’’, afirmou o ministro. Segundo dados do IBGE referentes a 1995, 25% da população de zero a seis anos frequenta creche ou pré-escola (5,5 milhões de crianças, de um total de 21,3 milhões). Com os referenciais pedagógicos, a expectativa é que haja melhoria e uniformização da qualidade desse atendimento. O MEC considera que todas as crianças de zero a seis anos do País têm direito a aprender e dão orientações didáticas para que os profissionais da área as apliquem.
O trabalho procura responder questões como qual a relação entre cuidar e educar, que aprendizagem e conteúdos são necessários para essa faixa etária e qual a função de brincar no processo educativo. O documento se baseia no princípio de que a criança constrói conhecimento na interação com o meio em que vive e que a educação atua no desenvolvimento de suas capacidades.
Os parâmetros se dividem em domínios ou campos de ação que organizam conteúdos esperados da educação infantil, como matemática, música e língua escrita. Essa versão preliminar dos referenciais pedagógicos será enviada a cerca de 500 especialistas em educação infantil, que têm até 20 de março para fazer parecer sobre o trabalho. Depois, os referenciais serão impressos e enviados aos profissionais de educação infantil até 31 de dezembro.

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